ETF’s

ETFs

ETF? É uma sigla que significa Exchange Traded Fund, do inglês, Fundo negociado em bolsa. Isto é, um fundo de investimentos. Em síntese é um conglomerado onde vários investidores fazem seus aportes. E porque esse nome? Bom, ele tem algumas diferenças de um fundo comum, a saber:

  • São atrelados a um índice de referência. Mas o que é um índice desses? É uma taxa de comparação, um bechmark. Ao passo que a maioria dos ETFs são de renda variável e o indexador usado Brasil é o Ibovespa. Dessa forma todas as ações do ETF devem tem ser as mesmas ações que compõem o índice ao qual está ele atrelado, e na mesma proporção.
  • Da mesma forma que os outros ativos de renda variável negocia-se ETFs no pregão da bolsa de valores. Como ações negocia-se cotas dos ETFs

Fundo cambial

Fundo cambial

Olá, espero que esteja tudo bem! Vamos continuar com o conteúdo de Fundos de investimento. Nesse post vamos ver  o fundo cambial. Mas…

O que é um fundo cambial?

De acordo com a CVM, este é um fundo que precisa ter pelo menos 80% dos ativos no fator de risco de outra moeda. Mas o que isso significa?

No fim das contas o investimento é feito em uma moeda estrangeira, por exemplo, euro ou dólar. E serve pra investir em vários países com um só ativo. Dessa forma seus ativos não ficam sob o risco de só uma moeda. Assim ele também é indicado pra estratégia hedge. Isto époupar-se de uma possível perda de valor. Se, por exemplo, o investidor tiver um ativo atrelado ao dólar ele  ganha se a moeda se valorizar. Ainda sobre esses ativos há…

Tipos de fundos cambiais

Renda fixa: Um detalhe é que esses fundos podem conter ativos de diferentes países. Da mesma maneira que no Brasil, empresas dos setores público e privado definem as taxas de juros dos ativos desses fundos.

Ações: Sabemos que os fundos de ações investem em ações de empresas. Da mesma forma, fundos cambiais investem em ações de empresas exportadoras. Então é o câmbio (troca de uma moeda por outra) que define as perdas e ganhos das empresas. A seguir há alguns exemplos:

    • Suzano (SUZB3)
    • Klabin (KLBN3)
    • Embraer (EMBR3)
    • Vale (VALE3)

Hedge funds: Em síntese se parecem com os fundos multimercado, com a diferença de ser em escala global.

Portfólios globais: Sabemos que fundos multimercado compram ativos. E os portfólios globais também o fazem, mas de forma indireta. Por meio de uma seleção de fundos que compram esses ativos. A seguir vamos ver:

Rentabilidade

Vale ressaltar que é um ativo de renda variável! Assim sendo não há como precisar um ganho pra um intervalo de tempo. De acordo com o tipo de fundo cambial deve-se usar um benchmark, uma taxa de comparação. Se for de renda fixa, CDI. Se for de ações, Ibovespa, etc… Enfim, a taxa do ativo. Por fim, vai depender do desempenho do fundo. Sim, mas…

Pra quais fins são indicados os fundos cambiais?

Como já vimos este é um produto que pode ser usado pra fazer hedge. Além de que pode-se lucrar com a perda de valor da moeda nacional. Se você quer viajar pro exterior, por exemplo, é uma boa opção, pois assim você não tem que se preocupar com as oscilações da moeda. Bem sabemos que o dólar é uma moeda forte e vamos mostrar…

Três formas de investir em dólar

  • Papel moeda: Uma opção é comprar a moeda em papel. Uma boa hora pra fazer isso é quando o valor do dólar cai. Contudo essa não é a melhor forma de lucrar. Por isso os tópicos seguintes mostram mais duas opções.
  • Outro jeito é comprar ações de empresas que exportam em dólar. Pois seus negócios são ligados à moeda. Além de se livrar das taxas cobradas pelos fundos a proteção é feita de forma eficaz.
  • Além dessas duas pode-se comprar contratos futuros e mini-contratos. Mas o que é isso? Em suma são contratos entre duas partes que são usados pra definir um preço pra compra ou venda de um ativo em uma data. Por exemplo, vamos supor que você tenha uma dívida em dólar que vence daqui a dois meses. Porém pode acontecer de subir a cotação do dólar no fim desse prazo. Então como usar os futuros pra fazer a proteção em dólar? Com futuros é fácil, você pode comprar uma quantia de futuros por uma quantia em reais. Assim seus futuros garantem que até sua data de vencimento, você que comprou tenha direito de vender, pelo valor da cotação corrente em dólar, e não importa quanto custou em reais. Pois é natural que as cotações desses futuros oscilem a todo momento. Outro exemplo, vamos supor que a Petrobrás tenha uma dívida de 10 milhões de dólares que deve ser paga em dois meses. Pra evitar que a dívida cresça por causa da cotação do dólar a Petrobrás então compra futuros para se “proteger”, ficou claro? Qualquer coisa é só falar no e-mail ou nos comentários!

Além dessas formas um fundo cambial é outra opção, só que eles não trazem apenas vantagens, por isso vamos ver…

As vantagens e desvantagens de investir em um fundo cambial

Praticidade: É só comprar cotas de um fundo aqui no Brasil mesmo. Isso pode ser feito numa corretora de valores, uma operação muito comum. Um aporte de x reais esse valor dá direito a uma quantidade de cotas.

Toda a tarefa de gestão fica com o gestor responsável por isso no fundo.  E ele é habilitado pra isso. Então essa opção pode ser boa pra quem não tem tempo ou interesse de acompanhar os investimentos

A liquidez do ativo pode ser alta. Além disso, é um muito benéfico o fato do gestor poder lucrar nesses fundos mesmo com a crise econômica!

× É crucial que você analise bem o fundo no qual quer investir pois há alguns que não rentabilizam nem mesmo pra acompanhar a cotação do dólar. Veja o histórico, a gestão, a lâmina do fundo e tudo pra te dar mais segurança. A página da corretora deve ter todos os documentos dos fundos que você pode investir. Se você der o azar disso ocorrer talvez fosse melhor comprar a moeda física e guardar, o que não é recomendado.

× A gestão tem um custo, que é a taxa de administração, ela pode chegar até mais ou menos a 2% do que render. Além disso é comum um fundo ter a taxa de performance, isto é, um percentual do que passar de um benchmark. Essa taxa varia em torno de 20%.

× Como já foi dito, um fundo cambial é um investimento de renda variável. E por isso é natural conter riscos de perda. Pois tudo que afeta a economia reflete na rentabilidade.

Conclusão

Por fim, uma máxima do mercado financeiro é que quanto maior for o potencial de lucro também será maior o risco. Isso se aplica aos ativos de todo tipo. Um fundo cambial pode gerar uma boa rentabilidade, do mesmo jeito tem maiores riscos.

Fundo de investimento multimercado (FIM)

Um Fundo de investimento multimercado (FIM) pode conter diferentes ativos como ações, CDB’s, títulos públicos ou privados, câmbio e derivativos. Buscam oferecer aos investidores um rendimento mais alto que em aplicações conservadoras. Por outro lado, em geral possui um risco maior, já que está atrelado às oscilações do mercado. Um gestor competente é fundamental para alcançar melhores rentabilidades. Por ser um fundo de investimento você não tem gestão ativa sobre o portfólio, cabe ao gestor escolher a qualquer momento as melhores opções de ativos para a estratégia de fundo de acordo com o cenário econômico.

Conforme a CVM, os fundos multimercados possuem um política de investimentos que envolve vários fatores de risco, mas não existe compromisso de concentrar em algum deles ou algum ativo . Fundos de renda fixa são tidos como opções conservadoras de investimentos e os de ações, como opções arrojadas. Os multimercados costumam ser vistos como um meio-termo – com relação ao risco e ao potencial de retorno. A ANBIMA informa que tais fundos são classificados em três níveis que definem o que é característico de cada tipo de fundo multimercado, se têm investimento em ativos no exterior, moedas, câmbio, capital protegido; o prazo é característico, a estratégia de alocação, etc. 

A tributação desses fundos em sua maioria é feita como a maior parte dos fundos de renda fixa. Abaixo seguem algumas características dos fundos multimercado: é diversificado; possui gestão especializada por um profissional; flexibilidade pois não precisa seguir apenas uma estratégia de investimento; risco de pouca liquidez pois os prazos de resgate dos multimercados podem ser mais longos que os outros fundos; maior volatilidade no valor das cotas caso o fundo seja mais alavancado, ou seja, os possíveis ganhos ou perdas são ampliados;

A atuação de um gestor profissional demanda um custo, tal custo atinge diretamente a rentabilidade para o investidor. Além de que pode existir também a taxa de performance (20% do que que superar algum benchmark previamente designado, por exemplo, o CDI). Outra particularidade é que esses fundos têm regras bem específicas quanto ao resgate (sacar o dinheiro), alguns fundos podem ter períodos de carência até que o resgate possa ser feito, além de que o pagamento após o resgate poder ser feito em dez, trinta ou noventa dias, isso varia em cada fundo.

Referências 

1 – CVM: https://www.investidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/fundos_investimentos/multimercado.html.[Voltar]

2 – ANBIMA. Cartilha de Nova Classificação de fundos https://www.anbima.com.br/data/files/B4/B2/98/EF/642085106351AF7569A80AC2/Cartilha_da_Nova_Classificacao_de_Fundos_1_.pdf. Acessado em 29/08/2020. [Voltar]

 

Fundos de investimento (FIC)

Segundo a CVM um Fundo de investimento é formado pela comunhão de recursos de investidores diversos, esses recursos são destinados a aplicações financeiras. É constituído sob a forma de condomínio e destinado à aplicação em ativos financeiros, entre eles títulos da dívida pública, ações, debêntures, moedas e derivativos. O funcionamento dos fundos obedece a normas da CVM e a um regulamento próprio, sendo este o principal documento do fundo. Nele são estabelecidas as regras relativas ao objetivo, à política de investimento, aos tipos de ativo negociados, aos riscos envolvidos nas operações, às taxas de administração e outras despesas do fundo, como também ao seu regime de tributação e outras informações relevantes.

Há fundos de investimento para o investidor conservador, moderado e agressivo. Um fundo possui características específicas (ativos, taxas de administração, regulamento, administrador, objetivo, etc) e é alinhado com um nível de risco. Os fundos podem ser uma opção de investimento interessante. Porém, por existirem diferentes tipos (fundo de renda fixa, fundo de ações, fundo multimercado, fundo de câmbio, fundo de ouro…) é sempre importante conhecer um pouco mais a respeito antes de investir em um. Os fundos de investimento de modo geral se baseiam em cotas para classificar a participação do investidor, disso surge o acrônimo FIC (Fundos de investimento em cotas)

Benjamim Graham diz que existe um princípio antigo e saudável que deveria ser seguido por aqueles que não podem ser dar ao luxo de correr riscos, no sentido de contentarem-se com um rendimento relativamente baixo advindo de investimentos. A taxa de retorno almejada deve ser mais ou menos proporcional ao grau de risco que se está disposto a assumir. O mesmo autor descreve duas modalidades de investidor, o ativo e defensivo. O investidor defensivo visa tranquilidade e segurança, considerando o que foi dito, esse obteria um rendimento menor em relação ao rendimento do investidor ativo que dedica mais tempo e atenção aos ativos. O investidor defensivo atribui a um gestor competente para essa atividade. Mas essa tarefa possui custos: A taxa de administração1; alguns possuem taxa de performance2. As características de um fundo de investimento são: o benchmark3 ao qual ele está associado; o CNPJ; a classificação/rating4; a data de início, histórico das rentabilidades; a quantidade de dias necessários para o resgate, a aplicação mínima, movimentação mínima, o administrador, o gestor; o custodiante, etc; Todas essas informações podem ser encontradas nos documentos do fundo, podem ser encontrados na corretora que o oferece: prospecto do fundo; o regulamento e outros. No site da corretora podem ser encontrados outras características como os objetivos, a política de gestão e o público alvo.

Ainda de acordo com a CVM, os ativos financeiros nos quais o fundo aplica compõem o que se chama de carteira do fundo. Esses ativos podem ser de várias classes, de emissores públicos ou privados, emitidos no Brasil ou no exterior. São inúmeras opções disponíveis. Entretanto, a escolha dos gestores é limitada por regras impostas pela regulamentação, e que restringem a sua liberdade de atuação. Nestes fundos respeita-se os chamados limites de concentração, esses limites buscam mitigar riscos relacionados ao excesso de concentração dos investimentos em uma mesma modalidade de ativo, em um mesmo emissor, ou em ativos no exterior.

Ademais, há classes para os fundos de investimento, elas transmitem uma noção de quais ativos financeiros podem fazer parte de sua carteira de investimento. De maneira geral, essas regras ajudam a compreender a composição da carteira dos fundos de investimento, indicam o nível de risco assumido pelos fundos, assim como a expectativa de retorno, e se constituem, portanto, em ferramenta fundamental para análise e decisão dos investidores. A Figura 15 ilustra uma lista de Fundos de investimentos oferecidos por uma corretora.

Figura 15: Lista de Fundos de investimento de uma corretora.

Se você preferir pode usar um fundo de investimento em busca de maior tranquilidade, porém, em detrimento de uma possível maior rentabilidade. A Figuras 16 apresenta um recorte de um dos documentos do fundo de ação FAMA FIC FIA, um fundo de perfil agressivo pra investidores defensivos.

Figura 16: Setores das empresas com maior participação no fundo.

Referências:

CVM: https://www.investidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/fundos_investimentos/introducao. [Voltar]

GRAHAM, Benjamin. O Investidor Inteligente. O guia clássico para ganhar dinheiro na bolsa, 4ª. ed. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2018. [Voltar]

Glossário:

1 – Taxa de administração: Taxa que o fundo cobra para dar manutenção nas suas atividades. [Voltar]

2 – Taxa de performance: Taxa que o fundo cobra caso o fundo ultrapasse a rentabilidade um benchmark. Em grande parte dos fundos de ações essa taxa é 20%. [Voltar]

3 – Benchmark: Indexador de comparação usado, pode ser a Taxa Selic, CDI, IFIX, Ibovespa, etc. [Voltar]

4 – Rating: A classificação do fundo é feita por agências de classificação de riscos também chamadas de agência de notação financeira ou agência de notação de risco. De forma geral na tabela de classificação de risco a maior classificação é AAA e a menor é a D – Algumas variações são AA, AA-, Aaa, AA+, BBB, BBb, BB+, BB-, CC. Isso varia conforme a classificação usada pela agência. [Voltar]

A Bolsa de Valores

Vamos começar a falar dos ativos de renda variável, volta e meia poderei usar algum termo até então desconhecido. Então vamos lá. Não podemos deixar de falar da Bolsa de Valores. Ela é um ambiente dedicado para investidores se reunirem para negociarem ações1 de empresas, títulos de renda fixa, commodities2, fundos de investimento imobiliário3 e outros ativos. O motivo dela existir é pra que as empresas possam captar recursos para dar andamento em suas atividades. Nem sempre é a solução mais viável tomar empréstimos para isso. Nesse sentido as empresas abrem o capital (alistam-se na Bolsa de Valores) e disponibilizam ações. Quando uma pessoa compra uma ação ele passa a deter uma participação na sociedade da empresa. Uma ação só pode ser negociada se houver outro investidor interessado em negociar aquele ativo, a bolsa de valores intermedeia essa negociação e o papel dela é garantir que essa negociação ocorra de forma justa, eficiente e segura.

Agora deixa eu fazer o papel importante de tentar desfazer a imagem negativa da bolsa de valores. Imaginar que a Bolsa de Valores é somente para ricos é uma característica comum das pessoas ignorantes no assunto e preconceituosas. Que fortalecem esse pensamento simplesmente porque é mais confortável continuar reforçando a posição atual, que geralmente é alinhada com a cultura da sociedade, esta tem o mesmo comportamento. Vamos a algumas características:

• A bolsa de valores é democrática – qualquer pessoa maior de idade está apta para negociar ativos na B3 – o lucro/prejuízo do investidor é proporcional a sua participação (quantidade de ações, cotas…) no ativo;

• A bolsa possibilita a participação de qualquer pessoa no negócio da empresa, se uma pessoa detiver apenas uma ação ela já se torna sócia da empresa, e há muitas empresas sólidas negociáveis, essas empresas são chamadas de empresas de capital aberto, essas empresas quando listadas na bolsa de valores são referidas como sociedades anônimas (SAs), justamente porque são diversas pessoas diferentes e desconhecidas que negociam a participação na S.A.; A única restrição hoje é ter algum dispositivo com internet para participar desse ambiente – graças ao advento da internet não é mais necessário estar presencialmente para negociar;

• Para que a B3 consiga se manter ela cobra uma pequeníssima taxa sobre as negociações que são feitas dentre os investidores, essas taxas são os emolumentos. Mas além de possibilitar a participação do capital de grandes empresas ela custodia seus ativos comprados, ou seja, se você compra 200 ações ela “guarda” essas 200 ações registradas em seu CPF. Mesmo que a corretora quebre seus ativos ficam custodiados lá, na Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC). Ela  é uma organização auto-regulada, que funciona sob a supervisão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)4 e através de gestão direta da bolsa de valores (B3). Ela custodia ações, cotas de FII’s, ETF’s5, Derivativos6 e Títulos públicos. Em Fundos de investimento como multimercado e fundos de ações, a custódia pode ser designada a terceiros ou realizada pela própria instituição relativa ao fundo de investimento (uma corretora, um banco, uma instituição financeira, a corporação do fundo, etc).

• A bolsa de valores possibilita que as empresas captem recursos de pessoas para dar prosseguimento às suas atividades de forma mais viável. Isso é feito disponibilizando ações em circulação que podem ser vendidas em troca de uma participação na S.A.

• A B3 NÃO é um ambiente propício ao enriquecimento fácil e rápido. É pra manutenção de patrimônio. Apesar de existirem diferentes modalidades comportamentais quanto aos ativos (também chamados de papéis) negociáveis a intenção principal é manter as sociedades pensando no longo prazo. Todas as empresas para continuarem existindo precisam da correção da inflação, isso reflete diretamente na cotação das ações. Apesar de existirem oscilações frenéticas nas cotações das ações, o padrão comportamental de todos os investidores é manter a correção desses preços.

• A B3 também possibilita que sejam feitas negociações de ativos durante o tempo que se desejar, isso dá margem para que pessoas atuem como traders, comprando e vendendo os ativos baseados apenas nas cotações – A depender do tempo que se permanece com o papel faz-se, Scalping7, Day-trade8, Swing-Trade9, Position-Trade10 e Buy and Hold11.

• Como qualquer pessoa (física ou jurídica) pode negociar, tal pessoa decide comprar ou vender ao preço que quiser, isso forma o livre mercado, por outro lado por causa disso podem ocorrer manipulações de preços, isso porque pode aparecer uma oferta de compra ou venda de uma quantidade muito grande de ações por apenas um investidor, o que pode influenciar o comportamento alheio. A Figura 14 ilustra um box de cotações de uma corretora de valores para o ativo ABEV3 (Ambev S.A.).

Figura 14: Book de ofertas para diferentes cotações da Ambev S.A.

Na imagem anterior cada linha representa uma oferta de compra (C) e uma de venda (V). Uma oferta de compra/venda tem a corretora (Clear, Modal, Btg, Ágora, Xp, Itaú, Mirae…) que está mediando a negociação, a quantidade de ações definida para a transação e o preço de cada unidade. Para que uma oferta como essa apareça no book é necessário que seja enviada uma ordem para a corretora com todas essas definições e veremos isso detalhadamente mais à frente. R$ 12,93 é o último valor que foi pago pelo ativo. Quanto mais pessoas estiverem negociando o ativo maior é sua liquidez, quanto maior a liquidez maior o potencial de oscilação de cotações.

Esse post ficou maior do que eu imaginava e mal adentramos no universo da renda variável. Mas por enquanto é o suficiente. Até o próximo post!

Glossário:

1 – Ação: De forma clara e simples, ações são uma participação na propriedade de uma empresa. Ações representam um direito sobre os ativos e lucros da empresa. Na medida em que você adquire mais ações, sua participação acionária na empresa torna-se maior.[Voltar]

2 – Commodity: são produtos que funcionam como matéria-prima, produzidos em escala e que podem ser estocados sem perda de qualidade, como petróleo, suco de laranja congelado, boi gordo, café, soja e ouro. Commodity vem do inglês e originalmente tem significado de mercadoria[Voltar]

3 – FII: Fundo de investimento imobiliário: se parece com uma ação de empresa mas é uma comunhão de recursos destinados à aplicação em empreendimentos imobiliários. A participação no FII é dada pela quantidade de cotas que o cotista detiver. Vamos falar detalhamento dos FII’s posteriormente em algum post.[Voltar]

4 – CVM: A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia vinculada ao Ministério da Economia do Brasil, fundada em 2002. A CVM tem poderes para disciplinar, normalizar e fiscalizar a atuação dos diversos integrantes do mercado. Seu poder de normalizar abrange todas as matérias referentes ao mercado de valores mobiliários.[Voltar]

5 – ETF: Exchange-traded fund (ETF) é um fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação. Um ETF também pode ser chamado de fundo de índice. A maioria dos ETFs acompanham um índice, como um índice de ações ou índice de títulos. Os ETFs podem ser atraentes como investimentos por causa de seus baixos custos, eficiência tributária e recursos semelhantes a ações. ETFs existem apenas na B3. Vamos falar detalhadamente em algum post mais à frente.[Voltar]

6 – Derivativos: São contratos que derivam a maior parte de seu valor de um ativo subjacente, taxa de referência ou índice. O ativo subjacente pode ser físico (café, ouro, etc.) ou financeiro (ações, taxas de juros, etc.), negociado no mercado à vista ou não (é possível construir um derivativo sobre outro derivativo). Os derivativos podem classificados em contratos a termo, contratos futuros, opções de compra e venda, operações de swaps, entre outros, cada qual com suas características. Num post futuro falaremos detalhadamente sobre esses derivativos.[Voltar]

7 – Scalping: Operações de curtíssimo prazo que visam o spread do mercado em momentos laterais, ou seja, pequenos movimentos de variação do preço. Enquanto um Day-trader em média faz de 1 a 3 operações por dia, um Scalper faz de 15 a 70. Os operadores de Scalping usam a técnica de Tape Reading, uma técnica antiga na qual os operadores utilizavam para analisar dois componentes: Volume e Preço. Literalmente, tape reading significa leitura da fita.[Voltar]

8 – Day-trade: Comprar e vender papéis no mesmo dia. Day-trades fazem uso de análise gráfica/técnica baseados apenas no preço e outros indicadores como médias móveis, volume, linhas de tendência, suporte e resistência, oscilador estocástico e muitos outros.[Voltar]

9 – Swing-Trade: Comprar e manter os papéis por alguns dias ou semanas. Trader que também faz uso de análise gráfica/técnica baseados apenas no preço e outros indicadores como médias móveis, volume, linhas de tendência, suporte e resistência, oscilador estocástico e muitos outros.[Voltar]

10 – Position-Trade: Comprar e permanecer com o ativo por meses ou anos. Pode ser considerado um investimento. O objetivo é a realização de lucros a longo prazo, mas assim que um preço for atingido a operação é finalizada. As operações de longo prazo se encaixam para um perfil de investidor que não se preocupa com a volatilidade diária e que desconsidera as interferências do mercado no curto prazo. Esse investidores se baseiam nos fundamentos da empresa.[Voltar]

11 – Buy and Hold: O conceito correto para o buy and hold é o de comprar as melhores empresas e segura-las por um período indeterminado, enquanto elas ainda continuarem a ser de altíssima qualidade. Dessa maneira o investidor mantem a posição (quantidade de ações possuídas) independentemente do andamento da economia, política ou informações que podem afetar o curto prazo. Entretanto, sobre hipótese alguma, se recomenda segurar um ativo quando ele não apresenta a qualidade operacional pelo qual foi motivo para escolhê-lo como um bom investimento.[Voltar]

COE

Nesse post vamos falar de COE (Certificado de Operações Estruturadas). É um tipo de investimento que combina ativos de renda fixa e renda variável e pode acessar retornos de diversos ativos nacionais ou internacionais, como índices de ações, inflação, moeda, ações, commodities, ouro e outros. É uma alternativa para a diversificação do portfólio e retornos mais expressivos com riscos controlados. Apesar dessas particularidades ele se enquadra em uma categoria de ativos de renda fixa, nesse caso, não devem ser esperadas maiores rentabilidades. Surgiu em 2014 no Brasil e funciona como as Notas Estruturadas populares nos Estados Unidos e Europa.

O COE sempre é emitido por um banco. Por veicular diferentes ativos, por meio dele você pode obter retornos na Bolsa Americana ou Européia sem investir diretamente nesses mercados.

Há duas versões do COE: com capital protegido (que dá a possibilidade de ganhar e não correr o risco de perder o valor investido, porém não corrige a inflação), esse investimento é indicado para investidores com perfil moderado; e com capital em risco (modalidade que possibilita a perda do capital investido), já esse é recomendado para investidores com perfil moderado/agressivo ou agressivo.

Uma vantagem do COE é que ele possibilita investir indiretamente em ativos de maior risco – por exemplo, dólar e petróleo – com capital protegido. Outra vantagem é a exposição internacional sem a necessidade de enviar recursos ao exterior e sem risco de moeda. Além dessa flexibilidade, existem COEs ligados a fundos de investimento no exterior (Fundos de ações, de Renda fixa e Multimercado globais). Ainda, esses certificados possibilitam retornos tanto com a queda, subida ou até mesmo se o mercado andar de lado. O valor mínimo de aplicação geralmente não é menor que R$ 1000,00. Uma desvantagem é a liquidez, pois esses certificados não permitem o resgate antes da data de vencimento. E essas datas de vencimento são longas. Geralmente esses certificados são emitidos com prazos de vencimentos de no mínimo dois ou três anos, mas muitos podem chegar a cinco anos. Para resgate antes da data de vencimento os COEs podem ser negociados no mercado entre diferentes investidores, a corretora intermedia essa negociação. Mas por isso podem não assegurar a rentabilidade acertada no início do investimento.

É importante salientar que o COE não tem a garantia do FGC, por isso é bastante significativo investir em COEs de instituições financeiras sólidas. Em média o valor inicial para investir num COE é R$ 5.000,00, mas varia de produto pra produto, isso muda de acordo com a complexidade do investimento, o risco embutido, o potencial de ganho e outros aspectos.

Eles também tem cobrança de IR e segue a mesma tabela regressiva dos ativos de renda fixa. Além desse custo, algumas corretoras cobram o valor da corretagem para comprar o produto (spread) e/ou o valor da custódia. A Figura 13 apresenta COEs oferecido por uma corretora.

Figura 13: Exemplo de COEs oferecidos por uma corretora

É consenso entre muitos entendedores de mercado que dificilmente um COE se enquadra num ativo que atenda perfeitamente às necessidades de um investidor pois: é possível atrelar seus ganhos a ativos de renda variável investindo diretamente em renda variável; o fato do dinheiro estar “travado” em um COE impossibilita investimentos bem oportunos como por exemplo, a oportunidade desencadeada pela crise do corona vírus em março de 2020; a melhor maneira de proteger o patrimônio é diversificar bastante a carteira de investimentos controlando cada ativo de acordo com os riscos, considerando os diferentes indexadores (pré-fixados, pós-fixados – CDI, SELIC); o custo da estrutura do COE é alto, pois há o spread que os emissores naturalmente cobram, e, garantir capital inicial investido demanda uma complexidade maior para os emissores, de modo que é necessário que eles invistam em ativos de renda variável (derivativos) para os protegerem do pior cenário. Apesar de garantir o valor inicial investido os ganhos nos ativos de renda variável são limitados, somando essa característica aos custos naturais de um COE, não faz muito sentido investir em um.

LF, CRI e CRA

Continuando com nossos ativos de renda fixa vamos falar agora das LF (Letras Financeiras), se assemelham aos CDBs, pois da mesma forma são empréstimos aos bancos, a diferença é que a aplicação inicial mínima que é muito maior. Há duas modalidades de Letras Financeiras: normais (LF), cuja aplicação mínima é a partir de R$ 150.000,00 e as Letras Financeiras subordinadas (LFSN) a partir de R$ 300.000,00 de aplicação mínima. Outra diferença é que o prazo da aplicação é de no mínimo dois anos, sendo que essa aplicação pode se prolongar até 8 anos! Esse ativo não possui proteção do FGC, por conta disso é importante escolher grandes bancos ao fazer uma aplicação em uma LF. A maioria dos bancos emite LFs com rentabilidades um pouco superiores ao CDI (103%, 104% …), em alguns casos há rentabilidades muito interessantes mas deve-se considerar os riscos de fazer uma aplicação desse valor avaliando a solidez do banco emissor. É fácil inferir que as LFSN tendem a oferecer rentabilidades maiores por possuírem o dobro de uma aplicação mínima de uma LF. O imposto de renda para esse tipo de aplicação também funciona com a tabela regressiva para todos os ativos de renda fixa. As letras financeiras podem ser negociadas antes do prazo de vencimento mas isso depende da liquidez do ativo e nem sempre será possível negociar. Por conta disso é bom ficar atento ao prazo de vencimento, se não houver liquidez é necessário ficar com o ativo até o vencimento. A Figura 11 mostra alguns exemplos de uma LFSN e quatro LF.

Figura 11: Exemplos: uma LFSB e quatro LFs

Vamos ver CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) a seguir. São títulos de renda fixa (privados) emitidos por companhias securitizadoras (empresas que antecipam um rendimento para o valor presente). Esses dois ativos são muito parecidos, sendo diferenciados apenas pelo lastro (Imobiliário x Agronegócio). Esses ativos são úteis para empresas diversas quando estas precisam de empréstimos, sejam do setor imobiliário ou agrícola. As empresas que precisam do empréstimo procuram tais securitizadoras, estas por sua vez securitizam o crédito, emitem e colocam no mercado financeiro, para que vários investidores financiem. Geralmente esses ativos são disponibilizados em corretoras. A rentabilidade desses ativos pode ser pré-fixada, pós-fixada ou híbrida. Para esses ativos o prazo de resgate normalmente fica entre quatro e dez anos. A aplicação mínima varia de caso a caso mas um valor razoável é R$ 5000.00. Algumas vantagens desses ativos são a rentabilidade que costuma ser mais atrativa (inclusive mais que LCIs e LCAs – que são bastante parecidos) e a tributação de IR que é completamente isenta. Por outro lado esses ativos não possuem proteção pelo FGC e os principais riscos desses ativo são: o risco de liquidez, pelo fato do mercado para negociação desses ativos ser pouco desenvolvido; risco de crédito, que é risco de receber calote da empresa que não honrar com o compromisso da dívida. Para se proteger desses riscos é bom analisar o rating da empresa (“nota de confiabilidade da empresa”), para uma maior rating menor será a possibilidade de receber calote, em contrapartida a rentabilidade será menor. Outra medida é diversificar, nunca colocando uma parcela grande do capital em apenas um CRI ou CRA, mas em vários. LCIs e LCAs são emitidos por bancos, CRIs e CRAs são emitidos por securitizadoras. Sabendo dessas informações cabe a você decidir se valerá a pena ou não aplicar seu dinheiro num ativo desses. A Figura 12 apresenta um exemplo de CRAs e CRI oferecidos por uma corretora independente.

Figura 12: Exemplo de CRAs e CRI de uma corretora

Fundo DI

Fundos DI são fundos de renda fixa, esses ativos são fundos atrelados à taxa DI, eles precisam ter no mínimo 95% dos ativos em títulos públicos atrelados à Taxa Selic, além desses esse tipo de fundo também pode conter alguns títulos privados (ambos de baixo risco) de acordo com os títulos permitidos pela modalidade. Esse ativo pode ser considerado seguro apesar de não ter a proteção do FGC, pelo fato da maioria dos ativos serem títulos públicos e a outra parte, a menor, em títulos privados de baixo risco. Pelo fato da maioria dos ativos desses fundos serem títulos públicos atrelados à Selic a rentabilidade de bons ativos desse tipo tendem a ser próximos a 100% do CDI, mesmo descontando a taxa de administração (que pode variar entre 0,3% a 3,5%). Algumas características importantes desse tipo de ativo é que a maioria deles conta com liquidez diária (o que é conviniente para reservas), assim como uma poupança, e a aplicação mínima é baixa também. Apesar dessas vantagens as taxas de administração desses fundos acabam diminuindo a rentabilidade pro investidor, de modo que dificilmente esses fundos atingem a rentabilidade de 100% do CDI. Com relação à poupança sem dúvida é um investimento melhor (o que não é grande coisa), a poupança está rendendo 70% da Selic, um bom fundo DI pode render até mais que a Selic. Como a maioria dos ativos são títulos públicos atrelados à Selic e ainda existem as taxas de administração, pode não ser vantajoso investir num ativo desse ao invés de em títulos públicos diretamente. Sempre devemos procurar baixas taxas de administração. A Figura 10 ilustra alguns Fundos DI mostrados em uma corretora de valores.

Figura 10: Lista de Fundos DI oferecidos por uma corretora

 

Debênture

Continuando a falar sobre ativos de renda fixa vamos começar falando de Debêntures. São títulos de créditos que representam empréstimos feitos a empresas. De forma mais simples, quando você compra uma debênture você empresta dinheiro pra uma empresa e em troca recebe o capital aplicado mais um prêmio/juros. As empresas fazem isso porque muitas vezes é mais vantajoso para operações de curto prazo do que tomar empréstimos tradicionalmente em instituições financeiras, por conta dos contratempos constantes dessa operação e por serem geralmente mais caros. Ao emitir novas debêntures, as ações da empresa ficam inalteradas, elas não têm relação. Todas as empresas enquadradas como sociedades anônimas (S/A) negociáveis em bolsa ou não podem emitir esses títulos, porém apenas empresas de capital aberto (negociáveis em bolsa) e registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é que podem emitir debêntures públicas. As debêntures não têm a proteção do FGC. Há diferentes tipos de debêntures, os principais são: Simples, na qual o pagamento será feito apenas com a aplicação com o juros devido; Conversíveis, sendo desse tipo o pagamento das debêntures pode ser feito por ações da empresa emissora; Incentivadas, também chamadas de debêntures de infraestrutura, servem para captar recursos para projetos específicos, voltados ao desenvolvimento da infraestrutura do país, os principais setores para a emissão dos papéis estão logística, transporte, saneamento básico, energia e outros, a maior vantagem delas é que possuem isenção de imposto de renda; Permutáveis, quando são dessa natureza, o investidor pode optar receber o pagamento em ações mas de uma outra empresa que não foi a emissora da debênture. O rendimento nas debêntures pode ser pré fixado, pós fixado ou híbrido. Os custos com a debênture dependem da instituição financeira intermediária, algumas delas não cobram tais custos, outras podem cobrar comissões como taxa de corretagem e taxas de custódia, que é a taxa que a instituição cobra por “guardar” o ativo pro investidor. Mas o principal custo das debêntures é o imposto de renda (quando não são incentivadas) que segue a tabela regressiva para o IR. Por conter um risco maior – relativo exatamente a condição poder arcar com a dívida – o retorno do investimento costuma ser mais alto. É mais um produto para diversificação. Algumas podem ter um prazo de vencimento muito longo. Apesar de não terem a garantia do FGC, existem ativos desse tipo que dispõem de outros tipos de garantia: Garantia real; Garantia flutuante; Garantia quirografária e garantia subordinada, que são garantidas relacionadas com o patrimônio da empresa. A liquidez das debêntures pode ser bastante restrita. A Figura 9 ilustra algumas Debêntures oferecidas por uma corretora.

Figura 9: Debêntures de três empresas