Tesouro direto

Chegamos em títulos do governo! Vamos lá. O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (a Bolsa de Valores, antiga Bovespa) para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas. Foi lançado em 2002 com o intuito e facilitar o acesso a Títulos públicos. Agora vamos lembrar das características dos ativos de renda fixa, volte no post referente se for preciso. Quando a Taxa Selic está alta não é necessário correr maiores riscos para ter rentabilidades interessantes; Esse é o investimento mais seguro dos ativos de renda fixa na economia brasileira, pois o risco que você corre de perder o dinheiro investido não está mais relacionado com uma instituição financeira mas ao Tesouro Nacional, ou seja, o maior problema é o país quebrar, não precisa de FGC; É flexível, há várias opções que podem se adequar melhor a seus objetivos, tem diferentes rentabilidades, prazos de vencimento e fluxos de remuneração; É acessível, pois com a aplicação mínima de R$ 30,00 você pode começar a investir; 100% digital, não requer que você precise sair de casa pra investir; A liquidez dos títulos é diária apesar de terem data de vencimento. O Funcionamento do Tesouro Selic é parecido com um CDB mas nesse caso você empresta dinheiro pro governo e recebe juros por isso. Outra característica do Tesouro Direto é que diferente da poupança (que só rende uma vez a cada 30 dias) ele rende diariamente. Esses títulos têm cobrança de imposto de renda (retido na fonte) de acordo com aquela tabela regressiva por periodicidade.

Há basicamente três tipos de títulos dos mais conhecidos: Pós-fixados, Pré-fixados, e híbridos. Já vimos isso antes hein. Não tem muita coisa diferente. Começando pelos pós-fixados temos o Tesouro Selic, adivinha a qual indexador ele é atrelado… isso mesmo, Taxa Selic. E ele tem a rentabilidade total da Taxa Selic. Não sofre grandes oscilações de valor independentemente de quando for feito o resgate. Algumas pessoas sugerem colocar a reserva de emergência no Tesouro Selic, mas é importante saber que você só pode solicitar liquidez do ativo quando a Bolsa está aberta, geralmente das 10:00 h da manhã até as 18:00 h, em dias úteis, outra coisa, se houver uma grande demanda por liquidez (muitos resgates no curto período de tempo, como aconteceu na crise do corona vírus) você fica suscetível ao sistema da instituição financeira que custodia sua aplicação e ao sistema da B3, é importante considerar isso. Quando dizem que a liquidez é diária você consegue de fato liquidar o dinheiro no dia, só que isso demanda um processo para que o dinheiro fique disponível para saque apenas no dia seguinte. Considerando esses critérios até mesmo uma poupança talvez fosse uma melhor opção a julgar pelas suas preferências.

Mais um título público é o Tesouro prefixado, um exemplo é o Tesouro prefixado 2023, com rentabilidade de 3,74% a. a. 2023 porque é o ano de vencimento. Esse título garante que se você resgatar o dinheiro na data de vencimento do título você tem a garantia que receberá tudo corrigido pela rentabilidade apresentada no momento da compra. Porém, entre o período de compra e a data de vencimento o valor deste título muda acompanhando a economia, isso reflete diretamente no valor que você investiu, assim, pode acontecer de você ver um valor menor do que o que você investiu nesse período, a garantia só é assegurada na data de vencimento. Uma variação desse título é o Tesouro prefixado com juros semestrais. O princípio é o o mesmo do Tesouro prefixado, a diferença é que a cada seis meses você recebe os juros que renderam, esses recebidos são os cupons semestrais. Temos um risco menor com relação ao outro tesouro, isso reflete diretamente na relação risco/retorno, o retorno obviamente é menor em relação outro, geralmente as taxas oferecidas são menores. Além disso, diminuir repetidamente o montante para calculo de rentabilidade, acaba por naturalmente gerar uma renda menor. Por fim, se você recebe o juros que rendeu a cada seis meses, na data de vencimento do título o montante é pouco diferente do valor inicial aplicado.

Um título com rentabilidade híbrida é o Tesouro IPCA (Ano de vencimento) + (Pequena Taxa), por exemplo Tesouro IPCA 2026 + 2,06% a. a. Da mesma forma que o prefixado se comporta, esse título também garante que se você resgatar o dinheiro na data de vencimento do título você tem a garantia que receberá tudo corrigido pela inflação mais uma pequena taxa que é a rentabilidade real. Outra coisa similar que também ocorre é que entre o período de compra e a data de vencimento o valor do título muda acompanhando a economia. Uma variação desse título é o Tesouro IPCA com juros semestrais que se comporta analogamente ao Tesouro prefixado com juros semestrais. A Figura 8 foi tirada do site oficial do Tesouro Direto e mostra os diferentes produtos que existem.

Figura 8: Apresentação dos diferentes Títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto

É comum que bancos vendam títulos de capitalização e fundos de investimentos com rentabilidade muito inferior à Taxa Selic, fique atento a isso.

Por enquanto é só, até o próximo post! =)

LC, LCI e LCA

E aí, tudo bom? Meu nome é Eudes, sou professor na área de tecnologia mas também sou um estudante entusiasta de finanças e investimentos. Se você se interessa por esse conteúdo pode ser que eu tenha algo bem legal pra te passar. Então, bora lá!

Mais um ativo de renda fixa é o LCI, Letra de Crédito Imobiliário. São títulos emitidos por instituições financeiras que remuneram o investidor por um prazo que é mostrado no momento do investimento, sendo fonte de investimentos para o setor imobiliário, pois são lastreados em créditos imobiliários. Na economia o conceito de lastro é usado para determinar o valor real da moeda, o que garante o valor do papel moeda, nesse caso, o valor real do ativo é determinado por imóveis. Isso significa que o dinheiro do investidor que investe em LCI está sendo utilizado, no fim, para a compra ou para o financiamento de um imóvel. Na prática, o investidor emprestará seu dinheiro ao setor imobiliário para recebê-lo incrementado com juros no futuro. Um detalhe interessante dos LCIs é que eles não cobram imposto de renda, assim todo lucro obtido é líquido! Os LCIs têm a proteção do FGC.

Como nos CDBs o LCI tem o nome, a rentabilidade, a data de vencimento, e o valor mínimo de aplicação e a liquidez (que no exemplo mostrado é a quantidade de dias requeridos até o resgate). Vale ressaltar que se a liquidez for diária as rentabilidades tendem a ser menores. A Figura 7 ilustra alguns exemplos de LCIs.

Figura 7: Exemplos de LCI de uma corretora de valores

Outro ativo de renda fixa são os LCAs, Letras de Crédito do Agronegócio. Possui características de investimento semelhantes ao LCI. Esses ativos, em vários casos, oferecem uma rentabilidade mais atrativa em relação a outros ativos de renda fixa. Isso ocorre por que o LCA tem isenção de imposto de renda sobre os rendimentos, coisa que não acontece na maioria dos ativos de renda fixa. O capital investido não oscila, isso já é sabido. E, os LCAs têm a proteção do FGC. Assim como em outros ativos de renda fixa a rentabilidade nos LCAs pode ser de três formas: pré-fixada e pós-fixada.

Quando há inadimplência o investidor não é afetado diretamente se a instituição financeira (credora) tiver como arcar com esses custos, ela é a responsável. Já vimos que o retorno é proporcional ao risco que se corre. Isso justifica o fato dos bancos pequenos oferecerem taxas de rentabilidade maiores, pois é muito mais fácil que ele sofra com tais situações do que os bancos grandes.

Agora vamos ver mais um, LC, Letra de Câmbio. É um título de renda fixa, como o CDB. É oferecida por sociedades de crédito, investimento e financiamento, conhecidas como Financeiras, onde o emitente é o devedor, o beneficiário é a pessoa física ou jurídica que investe o seu dinheiro, e o aceitante é a financeira, como a Fininvest, BMG e a Crefisa. As LCs são muito procuradas por conta da rentabilidade que oferecem, além de serem protegidas pelo FGC. Esse investimento possui as características de uma ativo de renda fixa e possui rentabilidade diária. Porém, sofre tributação de IR de acordo com aquela tabela regressiva mostrada no post que fala das características dos ativos de renda fixa. O investimento mínimo é maior que os concorrentes (Tesouro direto, por exemplo, que veremos mais detalhadamente num post adiante), e, não serve como margem de garantia para investir na Bolsa de Valores (explicarei o que é essa margem de garantia mais à frente) . Outra desvantagem das LCs é que elas não possuem liquidez diária.

Por enquanto é só, aos poucos você aprende. Até o próximo post!

Poupança e CDB

Então vamos começar a falar dos ativos financeiros! No primeiro momento os mais simples, os de renda fixa. Vamos falar de CDB, LCI, LCA, Debênture, Títulos públicos, Fundo DI, etc. A Selic é a taxa base pra maioria os ativos de renda fixa lembra? As instituições financeiras se baseiam nela pro rendimento de seus produtos, mas é importante lembrar que nesses ativos o rendimento é menor, certo? Quanto menor a Selic, menor o rendimento. Vamos aos mais conhecidos.

Começando, qual é o ativo mais popular dos brasileiros? A poupança. Quando você faz uma, você deixa dinheiro disponível pro banco usar como quiser, é você emprestando dinheiro pro banco, e você faz isso visando um prêmio/lucro, que é o juros desse empréstimo. Tem as vantagens de ser fácil, prática, possuir ótima liquidez (o fato de você conseguir transformar o valor do ativo em dinheiro vivo, é quase instantâneo) e quando é feita em um grande banco, é encorpada com a solidez e todos os serviços financeiros que ele pode oferecer. Outra vantagem é que poupança não tem imposto de renda. Mas vamos ver as desvantagens. Dos ativos de renda fixa a poupança é o que tem o menor rendimento. Lembra que os ativos de renda fixa são atrelados à taxa Selic? Pois é, e na data desse post estamos no menor valor histórico dessa taxa. Mas calma, ela não rende tudo que a Selic possibilita, mas sim 70% dela se esta se for igual ou menor que 8,5%, ou, 0,5% se a Selic for maior que 8,5%, um desses dois casos mais uma taxa referencial que também é muito pequena, aliás agora (07/2020) está em zero. Na data da publicação deste post a Taxa Selic está em 2,25% a.a. Enfim, é um rendimento ridículo. Tem mais, esse rendimento dela só acontece uma vez ao mês, a cada 30 dias após o aporte. Acha que tá seguro com ela? Olha só… Se o banco que mantém essa poupança quebrar, você corre o risco de perder tudo sabia? Apesar das instituições financeiras usarem o FGC como garantia de seguro.

Lembra do CDI e como ele está relacionado aos ativos de renda fixa nas instituições financeiras? Se não, veja isso no post anterior. Então, bora ver o CDB? (Certificado de Deposito Bancário) Um título emitido por uma instituição financeira que remunera o investidor por um prazo determinado no momento do investimento. Sim, e a rentabilidade? Depende, pode ser prefixada ou pós-fixada. E vão dizer assim pra você: “Rende X% do CDI”! Tem detalhes disso no post anterior. Num banco, no geral,  você vai ter poucas ofertas de ativos financeiros. Como tem poucas ofertas e MUITA gente ignorante no assunto, eles aproveitam e empurram as melhores opções, PRA ELES, claro. Outra questão dos CDBs é que é cobrado imposto de renda sobre o lucro, e a taxa desse imposto sobre o lucro varia de acordo com o prazo aplicado, conforme aquela tabela regressiva mostrada no post anterior.

Falando dos ativos de renda fixa, geralmente encontramos esses ativos em bancos, mas algumas vezes não há muitos pra oferecer, os bancos grandes têm uma solidez indiscutível, prestam ótimos serviços e são instituições muito sérias. Só que tem a carência de produtos pra investimento né? Mas isso é lógico, porque eles vão priorizar as coisas que mais lhes rendem lucros e quase sempre o melhor pro investidor não é o melhor pra eles. Banco tem seu papel e desempenha muito bem, mas nessa questão… Então como eu faço pra achar melhores ofertas de ativos? Essa é a pergunta chave. Pra encontrar mais opções você precisa abrir uma conta numa corretora de valores. Ela é uma intermediária entre você potencial investidor e uma instituição financeira. Ela pode oferecer produtos de várias instituições financeiras, vários bancos, a bolsa de valores, etc. Então através dela você pode escolher dentre diversos produtos pela internet. Existem corretoras voltadas pra diferentes perfis, de diferentes tamanhos, diferentes custos operacionais, diferentes níveis de fama e robustez. Mas algo bem importante é seu conforto e expertise com a plataforma da corretora. Posso citar algumas, XP, Rico, Clear, Modalmais, Easyinvest, Guide, Órama, Ágora, Nova Futura, Toro, enfim, são muitas.

Retomando e voltando a falar do CDB temos: o nome, a rentabilidade, a data de vencimento, a aplicação mínima e a liquidez (que neste caso está mostrada como o prazo). É bom salientar que se a liquidez for diária as taxas tendem a ser menores. Falo das características dos ativos de renda fixa no post anterior. Vou focar nas características mais importantes pra facilitar a fixação do conteúdo. A Figura 6 ilustra alguns exemplos de CDBs.

Figura 6: Exemplos de CDBs disponíveis no site de uma correta de valores

Nesse post vimos poupança e CDB. É o suficiente pra assimilar por enquanto, nesse caso menos é mais, não adianta falar de muita coisa.

Características dos ativos

Para dar prosseguimento em nosso estudo vou mostrar as características principais dos ativos de Renda Fixa. A Figura 3 ilustra essas características e falo de cada uma delas nesse post:

Figura 3: Principais características dos ativos de renda fixa

Como mostrado na Figura 3 os ativos de renda fixa mais conhecidos são CDB, LCI, LCA, LC, Debênture, CRI, CRA e COE. Nesse post vamos falar das características aplicáveis a todos e detalhar cada um desses produtos em posts posteriores. Algumas coisas são muito óbvias e simples pra alguns mas a intenção é fornecer conhecimento a todos.

Cheguei num ponto que eu preciso explicar. Lembra da taxa Selic? Ela pode ser usada como um indexador de rentabilidade, ou podemos usá-la pra como taxa de comparação, um benchmark. Ela é pra ativos de renda fixa sim, mas no mercado financeiro ela é relacionada aos títulos do governo, e vamos falar deles depois, mas agora vamos falar dos produtos dos bancos. Em seus produtos os bancos usam outra taxa, poxa mais uma uma? Sim, e é mais uma sigla, uma hora acaba, rsrsrs. Vai aprendendo aí, CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Certo, mas isso significa o quê. O Banco Central do Brasil definiu que todo banco deve fechar o dia com saldo positivo, mas nem sempre isso ocorre, por vários motivos, por exemplo, pode haver mais saques que depósitos num dia. Pra cumprir a regra do saldo positivo, os bancos tomam dinheiro emprestado de outros bancos e o juros desse empréstimo é a taxa CDI. Certificado de Depósito Interbancário fez sentido agora? Essa taxa CDI quase sempre fica muito próxima da taxa Selic, quase colada, isso é o ideal pros bancos, nem muito abaixo, nem muito acima, mas não vou dar detalhes disso porque só nos interessa saber o que ela é. Dá pra investir no CDI? Não, é só um indexador, uma taxa. Assim como a taxa Selic ela pode ser usada como uma taxa de comparação, um benchmark.

Outro indexador é o IPCA, que significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo e corresponde à taxa da inflação.

Apesar de não aparecer na Figura 3, outro importante indexador é o IGP-M. É um indicador de preços auferido mensalmente usado para medir a inflação  e é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%. Ele é calculado por uma instituição privada: a Fundação Getúlio Vargas (FGV). IGP-M é conhecido como a inflação do aluguel.

Os indexadores são relacionados à rentabilidade. E esta pode ser de três formas: pré-fixada, na qual a rentabilidade é apresentada no momento da contratação; pós-fixada, na qual a rentabilidade é atrelada a um indexador, por exemplo, CDI ou IPCA; e híbrida, dessa maneira a rentabilidade é formada por um indexador + uma pequena taxa, por exemplo, IPCA + 3%.

O prazo corresponde ao tempo necessário para manter o ativo sem poder resgatar o dinheiro. Em algumas corretoras vem em quantidade de dias, em outras em anos ou a data específica na qual é possível a liquidez do ativo (transformar o valor do ativo em dinheiro). Há os casos em que a liquidez é (diária), nesse caso você pode tirar o dinheiro a qualquer momento com a taxa de rentabilidade contratada. Nesses casos a rentabilidade contratada tende e a ser menor dentre os pares.

Outra característica é a data de vencimento, que é o prazo recomendado para que o investidor resgate seu dinheiro para ter acesso à rentabilidade projetada para o ativo escolhido. Analogamente, quanto mais longíncua a data de vencimento e/ou o prazo para liquidez, maior tende a ser a rentabilidade oferecida.

A aplicação mínima representa o menor valor possível a ser aplicado na primeira vez. Não é necessário que as aplicações seguintes sejam maiores ou iguais ao primeiro valor aplicado. Uma variante dessa característica é a movimentação mínima que representa quanto poderá ser resgatado ou aplicado (depois da primeira aplicação).

Outra característica de destaque é a proteção pelo FCG. Mais uma sigla, hehehe, sinto muito, uma hora você se acostuma com elas. É o seguinte, se o banco que mantém a aplicação quebrar, você corre o risco de perder tudo, sabia? Pra contornar essa situação, assim quando foi implantado o plano real, em 1995 foi criado o FGC. Mãe de quem? Fundo Garantidor de Crédito, que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra mecanismos de proteção aos investidores frente às instituições financeiras associadas ao fundo. Teoricamente, mesmo que quebre o banco que você fizer a aplicação, se ele for associado ao FGC você está protegido em até R$ 250.000. Não estranhe se uma instituição financeira usar a propaganda “proteção garantida pelo FGC”. Tirei um screenshot de uma propaganda dessas pra lhe mostrar, está na Figura 4. O que ninguém vai dizer é que o FGC não tem todo o capital necessário pra assegurar todas as instituições associadas, na verdade, no mês dessa publicação não tem nem 5%.

Figura 4: Propaganda de um CDB protegido pelo FGC

Uma coisa que você precisa saber é que o FGC não é um seguro! Num seguro existe a dever da seguradora lhe indenizar em caso de sinistro. Em outras palavras, se você fizer um seguro e acontecer algum sinistro a seguradora é obrigada a lhe pagar. No caso do FGC, a situação é um pouco diferente: o fundo não é obrigado a devolver seu dinheiro; ele fará isso se, e somente se, dispuser do montante de reservas para tal. No fim das contas a proteção pelo FGC não é uma solução de segurança plena…

Por fim, isenção de imposto de renda. Há cobrança de imposto de renda sobre o lucro em alguns ativos de renda fixa, outros são isentos. Caso haja a cobrança, há uma diminuição na taxa de acordo com o período investido. A maioria dos referidos ativos segue uma tabela cuja cobrança é regressiva de acordo com o período, como ilustra a Figura 5:

Figura 5: Tabela regressiva de cobrança de IR

Nesse post vimos as principais características relativas aos ativos de renda fixa, a saber: rentabilidade (CDI, IPCA, prefixado), liquidez, prazos ou data de vencimento, aplicação mínima, FGC e imposto de renda. Agora podemos falar dos ativos de renda fixa, então até o próximo post!

Inflação

Lembra que falamos de ativos num post anterior? Renda fixa, renda variável, etc. Pois é , o fato é que de qualquer forma você está exposto à economia do país, isso parece óbvio demais, dã. E logicamente aparentemente estamos mais seguros em ativos de renda fixa, afinal eles preservam o capital inicial investido. Porém, algo que ninguém te lembra é se o rendimento dessa aplicação financeira pelo menos mantém o seu poder de compra com o passar do tempo. 

Se a taxa da inflação for maior que a taxa Selic fica muito mais difícil encontrar um ativo que pelo menos preserve o poder de compra, veja lá ter rentabilidade real, a rentabilidade que passa da inflação. Em outras palavras, a inflação consome seu dinheiro e você nem sente! 

Aha! Fique esperto, talvez você esteja queimando dinheiro e nem se dá conta disso, é só o rendimento ser menor que a inflação que isso acontece. E logicamente, você não quer deixar isso acontecer com seu dinheiro tão suado né? E os ativos financeiros podem fazer isso por você. Lembra que eu falei? Devemos nos pagar antes e uma forma de fazer isso é comprando ativos! A dúvida agora é qual ativo comprar, de que tipo, de renda fixa ou de renda variável?

Já vimos que estamos expostos à economia independentemente do tipo de ativo ou mesmo algum bem do nosso patrimônio, vimos que podemos perder dinheiro até mesmo em ativos de renda fixa. Então como se proteger da inflação? Isso pode ser alcançado tanto com ativos de renda fixa quanto com ativos de renda variável.

Em renda fixa há ativos que garantem proteção contra a inflação, os mais conhecidos são os títulos do tesouro nacional. Estes garantem que uma vez investido um valor, será garantida a correção da inflação mais uma pequena taxa que é a rentabilidade real na data de vencimento do título. Mas isso só é garantido na data de vencimento, no intervalo da data de compra do título até a data de vencimento a rentabilidade oscila de acordo com a economia, sendo que pode acontecer que nesse intervalo tenha menos capital do que o investido.

A outra forma é através de ativos de renda variável, antes de apresentar a sugestão imediata, trago um exemplo para que você compreenda o porque da mesma. Já parou pra pensar no porquê todo ano a conta de energia, de água e de telefone, ficam mais caras? É o efeito da inflação, pelo fato de tudo ter ficado mais caro de forma generalizada, os custos de produção também aumentaram e isso precisa ser repassado ao consumidor para que a empresa consiga se manter. Então para que uma empresa qualquer continue existindo é necessário acompanhar a inflação. Certo, mas onde isso entra na questão dos investimentos? Você pode se tornar sócio das empresas que estão listadas na bolsa de valores! Para fazer isso basta comprar uma ação de uma empresa, aí você já é um acionista. Uma ação é uma pequeníssima fração da empresa e sua cotação tende a acompanhar a inflação. É comum também que o acionista receba parte dos lucros da empresa, logicamente proporcional a sua participação no capital da empresa, a quantidade de ações.

Porém, é prudente que você deixe disponível um valor que possa ser resgatado e livre das oscilações de mercado, uns chamam isso de reserva de emergência, reserva de oportunidades, reserva de liquidez, outros chamam de caixa, enfim, é um capital que você pode resgatar a qualquer momento. É comum sugerirem que essa reserva de emergência tenha o valor de 12 meses do seu custo de vida se você for um profissional autônomo ou 6 meses caso seja um assalariado. Entretanto, não tem regra certa ou errada, o mais importante é você ficar confortável com o montante que você separou pra isso. Por ordem de prioridade: a primeira coisa que precisa ser feita antes de investir é quitar as dívidas se existirem, não faz sentido investir havendo dívidas pois não é garantido que a rentabilidade dos investimentos e/ou aplicações as supere; em seguida deve ser feita a falada reserva de emergência, algumas pessoas possuem 100% do capital investido em renda variável mas isso já é para pessoas com mais experiência nesse tipo de ativo. Depois disso é que poderão ser escolhidos os ativos financeiros de diferentes tipos, e a partir de então vou lhe apresentar cada um nos próximos posts.

Por fim uma pergunta: Porque não é prudente alocar tudo em ativos de uma só categoria (Renda fixa ou Renda variável)? Se há dúvidas deixe nos comentários.

Renda Fixa x Renda Variável

Como tudo está associado, é melhor abordar junto as coisas que estão mais relacionadas. Quando falamos de investimentos volta e meia nos referimos a ativos financeiros. E são eles que se classificam entre ativos de renda fixa e ativos de renda variável. Existem vários e vou falar sobre alguns em postagens adiante.

Há ativos que possibilitam calcular precisamente ou fazer uma estimativa muito próxima de um valor até uma data. Neste caso o rendimento seria fixo. É isso que acontece com os ativos de renda fixa. Ao fazer um aporte em um ativo de renda fixa  estamos fazendo uma aplicação financeira. Quando você diz que vai aplicar seu dinheiro, significa que vai fazer um aporte em um ativo de renda fixa. Uma característica dos ativos de renda fixa é a manutenção e aumento do capital inicial investido com o decorrer do tempo. Porém, esse aumento de capital é atrelado a um índice. Na verdade, todos os ativos de renda fixa devem seguir esse índice, que é definido por um órgão regulador. Este por sua vez define tal índice baseado na economia local corrente. No caso do Brasil esse órgão regulador é o COPOM (Comitê de Política Monetária).

O COPOM é um órgão que foi constituído no Banco Central do Brasil em 1996. Foi criado para dirigir a política monetária do país e estabelecer diretrizes a respeito da taxa de juros. Pera, pera, pera! Taxa de juros de quê? A taxa base para os ativos financeiros relativos à economia do país e ela é definida através de uma fórmula, tudo vai se basear nela. É ruim pra economia se o valor dessa taxa for muito diferente da demanda da economia do país. O valor precisa ser definido baseado no estado da economia a cada 45 dias. Essa taxa de juros é chamada de Taxa Selic. Por essa taxa de juros afetar tudo, ela reflete diretamente no controle da inflação do país.

Vimos o conceito de renda fixa, aplicação, aporte e Taxa Selic. Agora vamos entender como essa taxa está intimamente ligada à inflação. Pra tentar esclarecer o que é a inflação, esse é um termo que está ligado ao aumento contínuo e generalizado dos preços numa economia. Tente se lembrar do que você conseguiria comprar em um supermercado a 10 anos atrás com o mesmo valor que você gasta hoje pra fazer uma feira qualquer. Daria pra comprar muito mais coisa né?

Mas como a Taxa Selic está ligada à inflação? Sim, ela afeta tudo mas observe este único exemplo, que é simples porque eu tirei muitas variáveis: Pra o produto chegar ao supermercado ele teve custos: matéria prima, produção, transporte, etc. Quem produziu o que está na prateleira do supermercado geralmente foi uma empresa. Pra empresa dar continuidade no seu funcionamento é comum que ela faça dívidas. Quem empresta o dinheiro, os credores, geralmente são grandes instituições financeiras. Que por sua vez fazem empréstimos visando um prêmio/lucro por ele. Esse prêmio é o juros da dívida. Porém a taxa dos juros desse prêmio gira em torno da Taxa Selic. É aí o X da questão. Assim, quanto maior a Taxa Selic mais juros devem ser pagos. Com isso dá pra inferir que quanto maior essa taxa, maior a resistência em pegar empréstimos. O contrário também é verdadeiro. Supondo uma diminuição da taxa Selic, o custo daquele produto da prateleira diminuiria, o que estimula a produção, isso aumenta a oferta daquele produto, e acaba por diminuir ou manter o preço frente a toda cadeia de suprimentos da concorrência. Um aumento da taxa Selic causa o efeito contrário. Então porque não manter sempre baixa a Taxa Selic? Diminuir indiscriminadamente a taxa Selic pode causar um aumento de produção maior do que a demanda, subvalorizando os produtos, desestimulando assim a produção porque não seria mais vantajoso pra empresa todo o trabalho pra pouco lucro. Analogamente, aumentar a taxa Selic aumentaria muito o custo o que também acaba por desestimular a produção. A taxa Selic serve como um regulador e precisa estar bem alinhada com a situação corrente da economia. Regulador? É, se a demanda e a produção não estiverem de acordo ela entra em ação. Demanda maior que a oferta, diminui-se a Selic pra aumentar a produção. Demanda menor que a oferta, aumenta-se a Selic pra diminuir a produção. 

Na Renda Variável é diferente. De agora em diante o termo “aplicação financeira” não é mais adequado mas sim investimento. Pois não dá pra precisar o valor final de um investimento depois de um período, quem faz um INVESTIMENTO em renda variável deve focar no longo prazo, décadas. No livro O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham, ele diz que é hora todos reconhecerem que o termo “investidor de longo prazo” é redundante. Como apresentado na Figura 2, no caso ele esse se refere a um ativo de renda variável, ação de uma empresa.

Figura 2: Apresentação de trecho do livro (O investidor inteligente), pp 177.

Na renda variável os indexadores usados são outros, por exemplo, IFIX e Ibovespa. Historicamente o que se mostra é que geralmente quando a taxa Selic cai o índice que mostra o crescimento das empresas da bolsa, o Ibovespa, sobe. Dá pra deduzir a lógica por trás disso? 

Uma verdade absoluta do mercado financeiro é que o retorno é proporcional ao risco que se corre. O risco dos ativos de renda fixa é baixíssimo, o menor disponível, em contrapartida, o retorno é menor também. O risco no ativos de renda variável é maior, porém, o retorno é potencialmente muito maior também. Entretanto, há formas de administrar esses riscos. Veremos isso mais pra frente. Você vai aprender naturalmente.

Ativos x Passivos

É o seguinte. É triste esse fato mas infelizmente nosso sistema educacional é falho quanto se trata de educação financeira, porque apesar dele nos ajudar a conseguir um bom emprego e faz isso relativamente bem ele quase não aborda nada sobre como ganhar e gerenciar bem o dinheiro. Aí a sociedade com um todo acaba carecendo disso. Daí às vezes surge aquela aversão até pra falar sobre dinheiro mas, contraditoriamente ao mesmo tempo trabalha exclusivamente por ele. Por causa da carência de educação financeira no sistema educacional não aprendemos a fazer o dinheiro trabalhar pra nós. Pra começar a aprender isso, a primeira coisa a se saber bem é a diferença entre ativos e passivos. 

Superficialmente ativo é tudo aquilo que traz mais dinheiro pro seu bolso e passivo é tudo aquilo que tira dinheiro de seu bolso. É um engano acreditar que uma fazenda, casa ou um carro são ativos se sempre é preciso pagar despesas como IPVA, IPTU, seguro, manutenção. Sendo desse jeito eles apenas tiram dinheiro do seu bolso. Ativos de verdade são aplicações financeiras, ações, títulos, fundos de investimento, imóveis que geram renda, um negócio próprio ou coisas semelhantes.

Pode reparar, a primeira coisa que a grande maioria das pessoas faz quando recebe o salário é comprar passivos: Uma TV mais atual, um smartphone novo, um carro novo, enfim, algo que não lhe dê algum retorno financeiro. E essas pessoas podem até ter um salário bom e parecerem ricas mas no final elas ficam presas em um conjunto de dívidas e sendo vítimas de uma única fonte de renda. Caso algo ocorra pra prejudicar essa fonte de renda, ferrou. 

Tem gente assim que toma empréstimo pra pagar dívidas. Na maioria das vezes essas pessoas só são vítimas dessa falta dessa educação financeira, são cercadas por uma sociedade também ignorante no assunto, somado com as circunstâncias que ela viveu e a fizeram chegar numa situação dessas. A Figura 1 ilustra o fluxo dos rendimentos com e sem ativos. A renda passiva vem dos lucros e proventos vindos dos ativos.

Figura 1: Ilustração do fluxo dos rendimentos

Sempre devemos investir em nós primeiro, devemos nos pagar antes. Gastar depois. E uma forma de se pagar é comprando ativos. Cada real que emprega num ativo é um real que trabalha pra você. 

Nos próximos posts eu vou abordar esses ativos especificamente, falar dos diferentes tipos, como se comportam e lhe mostrar esses detalhes pra você saber qual se adequa melhor ao seu perfil, aí você vai ter condições de pelo menos engatinhar, mas meu objetivo é passar mais informação pra você caminhar com as próprias pernas.  Mostrando os diferentes tipos de ativos nos textos seguintes você vai ver que a famosa POUPANÇA, que todo mundo conhece, é só mais um deles.