Renda Fixa x Renda Variável

Como tudo está associado, é melhor abordar junto as coisas que estão mais relacionadas. Quando falamos de investimentos volta e meia nos referimos a ativos financeiros. E são eles que se classificam entre ativos de renda fixa e ativos de renda variável. Existem vários e vou falar sobre alguns em postagens adiante.

Há ativos que possibilitam calcular precisamente ou fazer uma estimativa muito próxima de um valor até uma data. Neste caso o rendimento seria fixo. É isso que acontece com os ativos de renda fixa. Ao fazer um aporte em um ativo de renda fixa  estamos fazendo uma aplicação financeira. Quando você diz que vai aplicar seu dinheiro, significa que vai fazer um aporte em um ativo de renda fixa. Uma característica dos ativos de renda fixa é a manutenção e aumento do capital inicial investido com o decorrer do tempo. Porém, esse aumento de capital é atrelado a um índice. Na verdade, todos os ativos de renda fixa devem seguir esse índice, que é definido por um órgão regulador. Este por sua vez define tal índice baseado na economia local corrente. No caso do Brasil esse órgão regulador é o COPOM (Comitê de Política Monetária).

O COPOM é um órgão que foi constituído no Banco Central do Brasil em 1996. Foi criado para dirigir a política monetária do país e estabelecer diretrizes a respeito da taxa de juros. Pera, pera, pera! Taxa de juros de quê? A taxa base para os ativos financeiros relativos à economia do país e ela é definida através de uma fórmula, tudo vai se basear nela. É ruim pra economia se o valor dessa taxa for muito diferente da demanda da economia do país. O valor precisa ser definido baseado no estado da economia a cada 45 dias. Essa taxa de juros é chamada de Taxa Selic. Por essa taxa de juros afetar tudo, ela reflete diretamente no controle da inflação do país.

Vimos o conceito de renda fixa, aplicação, aporte e Taxa Selic. Agora vamos entender como essa taxa está intimamente ligada à inflação. Pra tentar esclarecer o que é a inflação, esse é um termo que está ligado ao aumento contínuo e generalizado dos preços numa economia. Tente se lembrar do que você conseguiria comprar em um supermercado a 10 anos atrás com o mesmo valor que você gasta hoje pra fazer uma feira qualquer. Daria pra comprar muito mais coisa né?

Mas como a Taxa Selic está ligada à inflação? Sim, ela afeta tudo mas observe este único exemplo, que é simples porque eu tirei muitas variáveis: Pra o produto chegar ao supermercado ele teve custos: matéria prima, produção, transporte, etc. Quem produziu o que está na prateleira do supermercado geralmente foi uma empresa. Pra empresa dar continuidade no seu funcionamento é comum que ela faça dívidas. Quem empresta o dinheiro, os credores, geralmente são grandes instituições financeiras. Que por sua vez fazem empréstimos visando um prêmio/lucro por ele. Esse prêmio é o juros da dívida. Porém a taxa dos juros desse prêmio gira em torno da Taxa Selic. É aí o X da questão. Assim, quanto maior a Taxa Selic mais juros devem ser pagos. Com isso dá pra inferir que quanto maior essa taxa, maior a resistência em pegar empréstimos. O contrário também é verdadeiro. Supondo uma diminuição da taxa Selic, o custo daquele produto da prateleira diminuiria, o que estimula a produção, isso aumenta a oferta daquele produto, e acaba por diminuir ou manter o preço frente a toda cadeia de suprimentos da concorrência. Um aumento da taxa Selic causa o efeito contrário. Então porque não manter sempre baixa a Taxa Selic? Diminuir indiscriminadamente a taxa Selic pode causar um aumento de produção maior do que a demanda, subvalorizando os produtos, desestimulando assim a produção porque não seria mais vantajoso pra empresa todo o trabalho pra pouco lucro. Analogamente, aumentar a taxa Selic aumentaria muito o custo o que também acaba por desestimular a produção. A taxa Selic serve como um regulador e precisa estar bem alinhada com a situação corrente da economia. Regulador? É, se a demanda e a produção não estiverem de acordo ela entra em ação. Demanda maior que a oferta, diminui-se a Selic pra aumentar a produção. Demanda menor que a oferta, aumenta-se a Selic pra diminuir a produção. 

Na Renda Variável é diferente. De agora em diante o termo “aplicação financeira” não é mais adequado mas sim investimento. Pois não dá pra precisar o valor final de um investimento depois de um período, quem faz um INVESTIMENTO em renda variável deve focar no longo prazo, décadas. No livro O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham, ele diz que é hora todos reconhecerem que o termo “investidor de longo prazo” é redundante. Como apresentado na Figura 2, no caso ele esse se refere a um ativo de renda variável, ação de uma empresa.

Figura 2: Apresentação de trecho do livro (O investidor inteligente), pp 177.

Na renda variável os indexadores usados são outros, por exemplo, IFIX e Ibovespa. Historicamente o que se mostra é que geralmente quando a taxa Selic cai o índice que mostra o crescimento das empresas da bolsa, o Ibovespa, sobe. Dá pra deduzir a lógica por trás disso? 

Uma verdade absoluta do mercado financeiro é que o retorno é proporcional ao risco que se corre. O risco dos ativos de renda fixa é baixíssimo, o menor disponível, em contrapartida, o retorno é menor também. O risco no ativos de renda variável é maior, porém, o retorno é potencialmente muito maior também. Entretanto, há formas de administrar esses riscos. Veremos isso mais pra frente. Você vai aprender naturalmente.

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