Características dos ativos

Para dar prosseguimento em nosso estudo vou mostrar as características principais dos ativos de Renda Fixa. A Figura 3 ilustra essas características e falo de cada uma delas nesse post:

Figura 3: Principais características dos ativos de renda fixa

Como mostrado na Figura 3 os ativos de renda fixa mais conhecidos são CDB, LCI, LCA, LC, Debênture, CRI, CRA e COE. Nesse post vamos falar das características aplicáveis a todos e detalhar cada um desses produtos em posts posteriores. Algumas coisas são muito óbvias e simples pra alguns mas a intenção é fornecer conhecimento a todos.

Cheguei num ponto que eu preciso explicar. Lembra da taxa Selic? Ela pode ser usada como um indexador de rentabilidade, ou podemos usá-la pra como taxa de comparação, um benchmark. Ela é pra ativos de renda fixa sim, mas no mercado financeiro ela é relacionada aos títulos do governo, e vamos falar deles depois, mas agora vamos falar dos produtos dos bancos. Em seus produtos os bancos usam outra taxa, poxa mais uma uma? Sim, e é mais uma sigla, uma hora acaba, rsrsrs. Vai aprendendo aí, CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Certo, mas isso significa o quê. O Banco Central do Brasil definiu que todo banco deve fechar o dia com saldo positivo, mas nem sempre isso ocorre, por vários motivos, por exemplo, pode haver mais saques que depósitos num dia. Pra cumprir a regra do saldo positivo, os bancos tomam dinheiro emprestado de outros bancos e o juros desse empréstimo é a taxa CDI. Certificado de Depósito Interbancário fez sentido agora? Essa taxa CDI quase sempre fica muito próxima da taxa Selic, quase colada, isso é o ideal pros bancos, nem muito abaixo, nem muito acima, mas não vou dar detalhes disso porque só nos interessa saber o que ela é. Dá pra investir no CDI? Não, é só um indexador, uma taxa. Assim como a taxa Selic ela pode ser usada como uma taxa de comparação, um benchmark.

Outro indexador é o IPCA, que significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo e corresponde à taxa da inflação.

Apesar de não aparecer na Figura 3, outro importante indexador é o IGP-M. É um indicador de preços auferido mensalmente usado para medir a inflação  e é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%. Ele é calculado por uma instituição privada: a Fundação Getúlio Vargas (FGV). IGP-M é conhecido como a inflação do aluguel.

Os indexadores são relacionados à rentabilidade. E esta pode ser de três formas: pré-fixada, na qual a rentabilidade é apresentada no momento da contratação; pós-fixada, na qual a rentabilidade é atrelada a um indexador, por exemplo, CDI ou IPCA; e híbrida, dessa maneira a rentabilidade é formada por um indexador + uma pequena taxa, por exemplo, IPCA + 3%.

O prazo corresponde ao tempo necessário para manter o ativo sem poder resgatar o dinheiro. Em algumas corretoras vem em quantidade de dias, em outras em anos ou a data específica na qual é possível a liquidez do ativo (transformar o valor do ativo em dinheiro). Há os casos em que a liquidez é (diária), nesse caso você pode tirar o dinheiro a qualquer momento com a taxa de rentabilidade contratada. Nesses casos a rentabilidade contratada tende e a ser menor dentre os pares.

Outra característica é a data de vencimento, que é o prazo recomendado para que o investidor resgate seu dinheiro para ter acesso à rentabilidade projetada para o ativo escolhido. Analogamente, quanto mais longíncua a data de vencimento e/ou o prazo para liquidez, maior tende a ser a rentabilidade oferecida.

A aplicação mínima representa o menor valor possível a ser aplicado na primeira vez. Não é necessário que as aplicações seguintes sejam maiores ou iguais ao primeiro valor aplicado. Uma variante dessa característica é a movimentação mínima que representa quanto poderá ser resgatado ou aplicado (depois da primeira aplicação).

Outra característica de destaque é a proteção pelo FCG. Mais uma sigla, hehehe, sinto muito, uma hora você se acostuma com elas. É o seguinte, se o banco que mantém a aplicação quebrar, você corre o risco de perder tudo, sabia? Pra contornar essa situação, assim quando foi implantado o plano real, em 1995 foi criado o FGC. Mãe de quem? Fundo Garantidor de Crédito, que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra mecanismos de proteção aos investidores frente às instituições financeiras associadas ao fundo. Teoricamente, mesmo que quebre o banco que você fizer a aplicação, se ele for associado ao FGC você está protegido em até R$ 250.000. Não estranhe se uma instituição financeira usar a propaganda “proteção garantida pelo FGC”. Tirei um screenshot de uma propaganda dessas pra lhe mostrar, está na Figura 4. O que ninguém vai dizer é que o FGC não tem todo o capital necessário pra assegurar todas as instituições associadas, na verdade, no mês dessa publicação não tem nem 5%.

Figura 4: Propaganda de um CDB protegido pelo FGC

Uma coisa que você precisa saber é que o FGC não é um seguro! Num seguro existe a dever da seguradora lhe indenizar em caso de sinistro. Em outras palavras, se você fizer um seguro e acontecer algum sinistro a seguradora é obrigada a lhe pagar. No caso do FGC, a situação é um pouco diferente: o fundo não é obrigado a devolver seu dinheiro; ele fará isso se, e somente se, dispuser do montante de reservas para tal. No fim das contas a proteção pelo FGC não é uma solução de segurança plena…

Por fim, isenção de imposto de renda. Há cobrança de imposto de renda sobre o lucro em alguns ativos de renda fixa, outros são isentos. Caso haja a cobrança, há uma diminuição na taxa de acordo com o período investido. A maioria dos referidos ativos segue uma tabela cuja cobrança é regressiva de acordo com o período, como ilustra a Figura 5:

Figura 5: Tabela regressiva de cobrança de IR

Nesse post vimos as principais características relativas aos ativos de renda fixa, a saber: rentabilidade (CDI, IPCA, prefixado), liquidez, prazos ou data de vencimento, aplicação mínima, FGC e imposto de renda. Agora podemos falar dos ativos de renda fixa, então até o próximo post!

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