LF, CRI e CRA

Continuando com nossos ativos de renda fixa vamos falar agora das LF (Letras Financeiras), se assemelham aos CDBs, pois da mesma forma são empréstimos aos bancos, a diferença é que a aplicação inicial mínima que é muito maior. Há duas modalidades de Letras Financeiras: normais (LF), cuja aplicação mínima é a partir de R$ 150.000,00 e as Letras Financeiras subordinadas (LFSN) a partir de R$ 300.000,00 de aplicação mínima. Outra diferença é que o prazo da aplicação é de no mínimo dois anos, sendo que essa aplicação pode se prolongar até 8 anos! Esse ativo não possui proteção do FGC, por conta disso é importante escolher grandes bancos ao fazer uma aplicação em uma LF. A maioria dos bancos emite LFs com rentabilidades um pouco superiores ao CDI (103%, 104% …), em alguns casos há rentabilidades muito interessantes mas deve-se considerar os riscos de fazer uma aplicação desse valor avaliando a solidez do banco emissor. É fácil inferir que as LFSN tendem a oferecer rentabilidades maiores por possuírem o dobro de uma aplicação mínima de uma LF. O imposto de renda para esse tipo de aplicação também funciona com a tabela regressiva para todos os ativos de renda fixa. As letras financeiras podem ser negociadas antes do prazo de vencimento mas isso depende da liquidez do ativo e nem sempre será possível negociar. Por conta disso é bom ficar atento ao prazo de vencimento, se não houver liquidez é necessário ficar com o ativo até o vencimento. A Figura 11 mostra alguns exemplos de uma LFSN e quatro LF.

Figura 11: Exemplos: uma LFSB e quatro LFs

Vamos ver CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) a seguir. São títulos de renda fixa (privados) emitidos por companhias securitizadoras (empresas que antecipam um rendimento para o valor presente). Esses dois ativos são muito parecidos, sendo diferenciados apenas pelo lastro (Imobiliário x Agronegócio). Esses ativos são úteis para empresas diversas quando estas precisam de empréstimos, sejam do setor imobiliário ou agrícola. As empresas que precisam do empréstimo procuram tais securitizadoras, estas por sua vez securitizam o crédito, emitem e colocam no mercado financeiro, para que vários investidores financiem. Geralmente esses ativos são disponibilizados em corretoras. A rentabilidade desses ativos pode ser pré-fixada, pós-fixada ou híbrida. Para esses ativos o prazo de resgate normalmente fica entre quatro e dez anos. A aplicação mínima varia de caso a caso mas um valor razoável é R$ 5000.00. Algumas vantagens desses ativos são a rentabilidade que costuma ser mais atrativa (inclusive mais que LCIs e LCAs – que são bastante parecidos) e a tributação de IR que é completamente isenta. Por outro lado esses ativos não possuem proteção pelo FGC e os principais riscos desses ativo são: o risco de liquidez, pelo fato do mercado para negociação desses ativos ser pouco desenvolvido; risco de crédito, que é risco de receber calote da empresa que não honrar com o compromisso da dívida. Para se proteger desses riscos é bom analisar o rating da empresa (“nota de confiabilidade da empresa”), para uma maior rating menor será a possibilidade de receber calote, em contrapartida a rentabilidade será menor. Outra medida é diversificar, nunca colocando uma parcela grande do capital em apenas um CRI ou CRA, mas em vários. LCIs e LCAs são emitidos por bancos, CRIs e CRAs são emitidos por securitizadoras. Sabendo dessas informações cabe a você decidir se valerá a pena ou não aplicar seu dinheiro num ativo desses. A Figura 12 apresenta um exemplo de CRAs e CRI oferecidos por uma corretora independente.

Figura 12: Exemplo de CRAs e CRI de uma corretora

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