Fundo de investimento multimercado (FIM)

Um Fundo de investimento multimercado (FIM) pode conter diferentes ativos como ações, CDB’s, títulos públicos ou privados, câmbio e derivativos. Buscam oferecer aos investidores um rendimento mais alto que em aplicações conservadoras. Por outro lado, em geral possui um risco maior, já que está atrelado às oscilações do mercado. Um gestor competente é fundamental para alcançar melhores rentabilidades. Por ser um fundo de investimento você não tem gestão ativa sobre o portfólio, cabe ao gestor escolher a qualquer momento as melhores opções de ativos para a estratégia de fundo de acordo com o cenário econômico.

Conforme a CVM, os fundos multimercados possuem um política de investimentos que envolve vários fatores de risco, mas não existe compromisso de concentrar em algum deles ou algum ativo . Fundos de renda fixa são tidos como opções conservadoras de investimentos e os de ações, como opções arrojadas. Os multimercados costumam ser vistos como um meio-termo – com relação ao risco e ao potencial de retorno. A ANBIMA informa que tais fundos são classificados em três níveis que definem o que é característico de cada tipo de fundo multimercado, se têm investimento em ativos no exterior, moedas, câmbio, capital protegido; o prazo é característico, a estratégia de alocação, etc. 

A tributação desses fundos em sua maioria é feita como a maior parte dos fundos de renda fixa. Abaixo seguem algumas características dos fundos multimercado: é diversificado; possui gestão especializada por um profissional; flexibilidade pois não precisa seguir apenas uma estratégia de investimento; risco de pouca liquidez pois os prazos de resgate dos multimercados podem ser mais longos que os outros fundos; maior volatilidade no valor das cotas caso o fundo seja mais alavancado, ou seja, os possíveis ganhos ou perdas são ampliados;

A atuação de um gestor profissional demanda um custo, tal custo atinge diretamente a rentabilidade para o investidor. Além de que pode existir também a taxa de performance (20% do que que superar algum benchmark previamente designado, por exemplo, o CDI). Outra particularidade é que esses fundos têm regras bem específicas quanto ao resgate (sacar o dinheiro), alguns fundos podem ter períodos de carência até que o resgate possa ser feito, além de que o pagamento após o resgate poder ser feito em dez, trinta ou noventa dias, isso varia em cada fundo.

Referências 

1 – CVM: https://www.investidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/fundos_investimentos/multimercado.html.[Voltar]

2 – ANBIMA. Cartilha de Nova Classificação de fundos https://www.anbima.com.br/data/files/B4/B2/98/EF/642085106351AF7569A80AC2/Cartilha_da_Nova_Classificacao_de_Fundos_1_.pdf. Acessado em 29/08/2020. [Voltar]

 

Fundos de investimento (FIC)

Segundo a CVM um Fundo de investimento é formado pela comunhão de recursos de investidores diversos, esses recursos são destinados a aplicações financeiras. É constituído sob a forma de condomínio e destinado à aplicação em ativos financeiros, entre eles títulos da dívida pública, ações, debêntures, moedas e derivativos. O funcionamento dos fundos obedece a normas da CVM e a um regulamento próprio, sendo este o principal documento do fundo. Nele são estabelecidas as regras relativas ao objetivo, à política de investimento, aos tipos de ativo negociados, aos riscos envolvidos nas operações, às taxas de administração e outras despesas do fundo, como também ao seu regime de tributação e outras informações relevantes.

Há fundos de investimento para o investidor conservador, moderado e agressivo. Um fundo possui características específicas (ativos, taxas de administração, regulamento, administrador, objetivo, etc) e é alinhado com um nível de risco. Os fundos podem ser uma opção de investimento interessante. Porém, por existirem diferentes tipos (fundo de renda fixa, fundo de ações, fundo multimercado, fundo de câmbio, fundo de ouro…) é sempre importante conhecer um pouco mais a respeito antes de investir em um. Os fundos de investimento de modo geral se baseiam em cotas para classificar a participação do investidor, disso surge o acrônimo FIC (Fundos de investimento em cotas)

Benjamim Graham diz que existe um princípio antigo e saudável que deveria ser seguido por aqueles que não podem ser dar ao luxo de correr riscos, no sentido de contentarem-se com um rendimento relativamente baixo advindo de investimentos. A taxa de retorno almejada deve ser mais ou menos proporcional ao grau de risco que se está disposto a assumir. O mesmo autor descreve duas modalidades de investidor, o ativo e defensivo. O investidor defensivo visa tranquilidade e segurança, considerando o que foi dito, esse obteria um rendimento menor em relação ao rendimento do investidor ativo que dedica mais tempo e atenção aos ativos. O investidor defensivo atribui a um gestor competente para essa atividade. Mas essa tarefa possui custos: A taxa de administração1; alguns possuem taxa de performance2. As características de um fundo de investimento são: o benchmark3 ao qual ele está associado; o CNPJ; a classificação/rating4; a data de início, histórico das rentabilidades; a quantidade de dias necessários para o resgate, a aplicação mínima, movimentação mínima, o administrador, o gestor; o custodiante, etc; Todas essas informações podem ser encontradas nos documentos do fundo, podem ser encontrados na corretora que o oferece: prospecto do fundo; o regulamento e outros. No site da corretora podem ser encontrados outras características como os objetivos, a política de gestão e o público alvo.

Ainda de acordo com a CVM, os ativos financeiros nos quais o fundo aplica compõem o que se chama de carteira do fundo. Esses ativos podem ser de várias classes, de emissores públicos ou privados, emitidos no Brasil ou no exterior. São inúmeras opções disponíveis. Entretanto, a escolha dos gestores é limitada por regras impostas pela regulamentação, e que restringem a sua liberdade de atuação. Nestes fundos respeita-se os chamados limites de concentração, esses limites buscam mitigar riscos relacionados ao excesso de concentração dos investimentos em uma mesma modalidade de ativo, em um mesmo emissor, ou em ativos no exterior.

Ademais, há classes para os fundos de investimento, elas transmitem uma noção de quais ativos financeiros podem fazer parte de sua carteira de investimento. De maneira geral, essas regras ajudam a compreender a composição da carteira dos fundos de investimento, indicam o nível de risco assumido pelos fundos, assim como a expectativa de retorno, e se constituem, portanto, em ferramenta fundamental para análise e decisão dos investidores. A Figura 15 ilustra uma lista de Fundos de investimentos oferecidos por uma corretora.

Figura 15: Lista de Fundos de investimento de uma corretora.

Se você preferir pode usar um fundo de investimento em busca de maior tranquilidade, porém, em detrimento de uma possível maior rentabilidade. A Figuras 16 apresenta um recorte de um dos documentos do fundo de ação FAMA FIC FIA, um fundo de perfil agressivo pra investidores defensivos.

Figura 16: Setores das empresas com maior participação no fundo.

Referências:

CVM: https://www.investidor.gov.br/menu/Menu_Investidor/fundos_investimentos/introducao. [Voltar]

GRAHAM, Benjamin. O Investidor Inteligente. O guia clássico para ganhar dinheiro na bolsa, 4ª. ed. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2018. [Voltar]

Glossário:

1 – Taxa de administração: Taxa que o fundo cobra para dar manutenção nas suas atividades. [Voltar]

2 – Taxa de performance: Taxa que o fundo cobra caso o fundo ultrapasse a rentabilidade um benchmark. Em grande parte dos fundos de ações essa taxa é 20%. [Voltar]

3 – Benchmark: Indexador de comparação usado, pode ser a Taxa Selic, CDI, IFIX, Ibovespa, etc. [Voltar]

4 – Rating: A classificação do fundo é feita por agências de classificação de riscos também chamadas de agência de notação financeira ou agência de notação de risco. De forma geral na tabela de classificação de risco a maior classificação é AAA e a menor é a D – Algumas variações são AA, AA-, Aaa, AA+, BBB, BBb, BB+, BB-, CC. Isso varia conforme a classificação usada pela agência. [Voltar]

Fundo DI

Fundos DI são fundos de renda fixa, esses ativos são fundos atrelados à taxa DI, eles precisam ter no mínimo 95% dos ativos em títulos públicos atrelados à Taxa Selic, além desses esse tipo de fundo também pode conter alguns títulos privados (ambos de baixo risco) de acordo com os títulos permitidos pela modalidade. Esse ativo pode ser considerado seguro apesar de não ter a proteção do FGC, pelo fato da maioria dos ativos serem títulos públicos e a outra parte, a menor, em títulos privados de baixo risco. Pelo fato da maioria dos ativos desses fundos serem títulos públicos atrelados à Selic a rentabilidade de bons ativos desse tipo tendem a ser próximos a 100% do CDI, mesmo descontando a taxa de administração (que pode variar entre 0,3% a 3,5%). Algumas características importantes desse tipo de ativo é que a maioria deles conta com liquidez diária (o que é conviniente para reservas), assim como uma poupança, e a aplicação mínima é baixa também. Apesar dessas vantagens as taxas de administração desses fundos acabam diminuindo a rentabilidade pro investidor, de modo que dificilmente esses fundos atingem a rentabilidade de 100% do CDI. Com relação à poupança sem dúvida é um investimento melhor (o que não é grande coisa), a poupança está rendendo 70% da Selic, um bom fundo DI pode render até mais que a Selic. Como a maioria dos ativos são títulos públicos atrelados à Selic e ainda existem as taxas de administração, pode não ser vantajoso investir num ativo desse ao invés de em títulos públicos diretamente. Sempre devemos procurar baixas taxas de administração. A Figura 10 ilustra alguns Fundos DI mostrados em uma corretora de valores.

Figura 10: Lista de Fundos DI oferecidos por uma corretora