COE

Nesse post vamos falar de COE (Certificado de Operações Estruturadas). É um tipo de investimento que combina ativos de renda fixa e renda variável e pode acessar retornos de diversos ativos nacionais ou internacionais, como índices de ações, inflação, moeda, ações, commodities, ouro e outros. É uma alternativa para a diversificação do portfólio e retornos mais expressivos com riscos controlados. Apesar dessas particularidades ele se enquadra em uma categoria de ativos de renda fixa, nesse caso, não devem ser esperadas maiores rentabilidades. Surgiu em 2014 no Brasil e funciona como as Notas Estruturadas populares nos Estados Unidos e Europa.

O COE sempre é emitido por um banco. Por veicular diferentes ativos, por meio dele você pode obter retornos na Bolsa Americana ou Européia sem investir diretamente nesses mercados.

Há duas versões do COE: com capital protegido (que dá a possibilidade de ganhar e não correr o risco de perder o valor investido, porém não corrige a inflação), esse investimento é indicado para investidores com perfil moderado; e com capital em risco (modalidade que possibilita a perda do capital investido), já esse é recomendado para investidores com perfil moderado/agressivo ou agressivo.

Uma vantagem do COE é que ele possibilita investir indiretamente em ativos de maior risco – por exemplo, dólar e petróleo – com capital protegido. Outra vantagem é a exposição internacional sem a necessidade de enviar recursos ao exterior e sem risco de moeda. Além dessa flexibilidade, existem COEs ligados a fundos de investimento no exterior (Fundos de ações, de Renda fixa e Multimercado globais). Ainda, esses certificados possibilitam retornos tanto com a queda, subida ou até mesmo se o mercado andar de lado. O valor mínimo de aplicação geralmente não é menor que R$ 1000,00. Uma desvantagem é a liquidez, pois esses certificados não permitem o resgate antes da data de vencimento. E essas datas de vencimento são longas. Geralmente esses certificados são emitidos com prazos de vencimentos de no mínimo dois ou três anos, mas muitos podem chegar a cinco anos. Para resgate antes da data de vencimento os COEs podem ser negociados no mercado entre diferentes investidores, a corretora intermedia essa negociação. Mas por isso podem não assegurar a rentabilidade acertada no início do investimento.

É importante salientar que o COE não tem a garantia do FGC, por isso é bastante significativo investir em COEs de instituições financeiras sólidas. Em média o valor inicial para investir num COE é R$ 5.000,00, mas varia de produto pra produto, isso muda de acordo com a complexidade do investimento, o risco embutido, o potencial de ganho e outros aspectos.

Eles também tem cobrança de IR e segue a mesma tabela regressiva dos ativos de renda fixa. Além desse custo, algumas corretoras cobram o valor da corretagem para comprar o produto (spread) e/ou o valor da custódia. A Figura 13 apresenta COEs oferecido por uma corretora.

Figura 13: Exemplo de COEs oferecidos por uma corretora

É consenso entre muitos entendedores de mercado que dificilmente um COE se enquadra num ativo que atenda perfeitamente às necessidades de um investidor pois: é possível atrelar seus ganhos a ativos de renda variável investindo diretamente em renda variável; o fato do dinheiro estar “travado” em um COE impossibilita investimentos bem oportunos como por exemplo, a oportunidade desencadeada pela crise do corona vírus em março de 2020; a melhor maneira de proteger o patrimônio é diversificar bastante a carteira de investimentos controlando cada ativo de acordo com os riscos, considerando os diferentes indexadores (pré-fixados, pós-fixados – CDI, SELIC); o custo da estrutura do COE é alto, pois há o spread que os emissores naturalmente cobram, e, garantir capital inicial investido demanda uma complexidade maior para os emissores, de modo que é necessário que eles invistam em ativos de renda variável (derivativos) para os protegerem do pior cenário. Apesar de garantir o valor inicial investido os ganhos nos ativos de renda variável são limitados, somando essa característica aos custos naturais de um COE, não faz muito sentido investir em um.

LF, CRI e CRA

Continuando com nossos ativos de renda fixa vamos falar agora das LF (Letras Financeiras), se assemelham aos CDBs, pois da mesma forma são empréstimos aos bancos, a diferença é que a aplicação inicial mínima que é muito maior. Há duas modalidades de Letras Financeiras: normais (LF), cuja aplicação mínima é a partir de R$ 150.000,00 e as Letras Financeiras subordinadas (LFSN) a partir de R$ 300.000,00 de aplicação mínima. Outra diferença é que o prazo da aplicação é de no mínimo dois anos, sendo que essa aplicação pode se prolongar até 8 anos! Esse ativo não possui proteção do FGC, por conta disso é importante escolher grandes bancos ao fazer uma aplicação em uma LF. A maioria dos bancos emite LFs com rentabilidades um pouco superiores ao CDI (103%, 104% …), em alguns casos há rentabilidades muito interessantes mas deve-se considerar os riscos de fazer uma aplicação desse valor avaliando a solidez do banco emissor. É fácil inferir que as LFSN tendem a oferecer rentabilidades maiores por possuírem o dobro de uma aplicação mínima de uma LF. O imposto de renda para esse tipo de aplicação também funciona com a tabela regressiva para todos os ativos de renda fixa. As letras financeiras podem ser negociadas antes do prazo de vencimento mas isso depende da liquidez do ativo e nem sempre será possível negociar. Por conta disso é bom ficar atento ao prazo de vencimento, se não houver liquidez é necessário ficar com o ativo até o vencimento. A Figura 11 mostra alguns exemplos de uma LFSN e quatro LF.

Figura 11: Exemplos: uma LFSB e quatro LFs

Vamos ver CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) a seguir. São títulos de renda fixa (privados) emitidos por companhias securitizadoras (empresas que antecipam um rendimento para o valor presente). Esses dois ativos são muito parecidos, sendo diferenciados apenas pelo lastro (Imobiliário x Agronegócio). Esses ativos são úteis para empresas diversas quando estas precisam de empréstimos, sejam do setor imobiliário ou agrícola. As empresas que precisam do empréstimo procuram tais securitizadoras, estas por sua vez securitizam o crédito, emitem e colocam no mercado financeiro, para que vários investidores financiem. Geralmente esses ativos são disponibilizados em corretoras. A rentabilidade desses ativos pode ser pré-fixada, pós-fixada ou híbrida. Para esses ativos o prazo de resgate normalmente fica entre quatro e dez anos. A aplicação mínima varia de caso a caso mas um valor razoável é R$ 5000.00. Algumas vantagens desses ativos são a rentabilidade que costuma ser mais atrativa (inclusive mais que LCIs e LCAs – que são bastante parecidos) e a tributação de IR que é completamente isenta. Por outro lado esses ativos não possuem proteção pelo FGC e os principais riscos desses ativo são: o risco de liquidez, pelo fato do mercado para negociação desses ativos ser pouco desenvolvido; risco de crédito, que é risco de receber calote da empresa que não honrar com o compromisso da dívida. Para se proteger desses riscos é bom analisar o rating da empresa (“nota de confiabilidade da empresa”), para uma maior rating menor será a possibilidade de receber calote, em contrapartida a rentabilidade será menor. Outra medida é diversificar, nunca colocando uma parcela grande do capital em apenas um CRI ou CRA, mas em vários. LCIs e LCAs são emitidos por bancos, CRIs e CRAs são emitidos por securitizadoras. Sabendo dessas informações cabe a você decidir se valerá a pena ou não aplicar seu dinheiro num ativo desses. A Figura 12 apresenta um exemplo de CRAs e CRI oferecidos por uma corretora independente.

Figura 12: Exemplo de CRAs e CRI de uma corretora

Fundo DI

Fundos DI são fundos de renda fixa, esses ativos são fundos atrelados à taxa DI, eles precisam ter no mínimo 95% dos ativos em títulos públicos atrelados à Taxa Selic, além desses esse tipo de fundo também pode conter alguns títulos privados (ambos de baixo risco) de acordo com os títulos permitidos pela modalidade. Esse ativo pode ser considerado seguro apesar de não ter a proteção do FGC, pelo fato da maioria dos ativos serem títulos públicos e a outra parte, a menor, em títulos privados de baixo risco. Pelo fato da maioria dos ativos desses fundos serem títulos públicos atrelados à Selic a rentabilidade de bons ativos desse tipo tendem a ser próximos a 100% do CDI, mesmo descontando a taxa de administração (que pode variar entre 0,3% a 3,5%). Algumas características importantes desse tipo de ativo é que a maioria deles conta com liquidez diária (o que é conviniente para reservas), assim como uma poupança, e a aplicação mínima é baixa também. Apesar dessas vantagens as taxas de administração desses fundos acabam diminuindo a rentabilidade pro investidor, de modo que dificilmente esses fundos atingem a rentabilidade de 100% do CDI. Com relação à poupança sem dúvida é um investimento melhor (o que não é grande coisa), a poupança está rendendo 70% da Selic, um bom fundo DI pode render até mais que a Selic. Como a maioria dos ativos são títulos públicos atrelados à Selic e ainda existem as taxas de administração, pode não ser vantajoso investir num ativo desse ao invés de em títulos públicos diretamente. Sempre devemos procurar baixas taxas de administração. A Figura 10 ilustra alguns Fundos DI mostrados em uma corretora de valores.

Figura 10: Lista de Fundos DI oferecidos por uma corretora

 

Debênture

Continuando a falar sobre ativos de renda fixa vamos começar falando de Debêntures. São títulos de créditos que representam empréstimos feitos a empresas. De forma mais simples, quando você compra uma debênture você empresta dinheiro pra uma empresa e em troca recebe o capital aplicado mais um prêmio/juros. As empresas fazem isso porque muitas vezes é mais vantajoso para operações de curto prazo do que tomar empréstimos tradicionalmente em instituições financeiras, por conta dos contratempos constantes dessa operação e por serem geralmente mais caros. Ao emitir novas debêntures, as ações da empresa ficam inalteradas, elas não têm relação. Todas as empresas enquadradas como sociedades anônimas (S/A) negociáveis em bolsa ou não podem emitir esses títulos, porém apenas empresas de capital aberto (negociáveis em bolsa) e registradas na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) é que podem emitir debêntures públicas. As debêntures não têm a proteção do FGC. Há diferentes tipos de debêntures, os principais são: Simples, na qual o pagamento será feito apenas com a aplicação com o juros devido; Conversíveis, sendo desse tipo o pagamento das debêntures pode ser feito por ações da empresa emissora; Incentivadas, também chamadas de debêntures de infraestrutura, servem para captar recursos para projetos específicos, voltados ao desenvolvimento da infraestrutura do país, os principais setores para a emissão dos papéis estão logística, transporte, saneamento básico, energia e outros, a maior vantagem delas é que possuem isenção de imposto de renda; Permutáveis, quando são dessa natureza, o investidor pode optar receber o pagamento em ações mas de uma outra empresa que não foi a emissora da debênture. O rendimento nas debêntures pode ser pré fixado, pós fixado ou híbrido. Os custos com a debênture dependem da instituição financeira intermediária, algumas delas não cobram tais custos, outras podem cobrar comissões como taxa de corretagem e taxas de custódia, que é a taxa que a instituição cobra por “guardar” o ativo pro investidor. Mas o principal custo das debêntures é o imposto de renda (quando não são incentivadas) que segue a tabela regressiva para o IR. Por conter um risco maior – relativo exatamente a condição poder arcar com a dívida – o retorno do investimento costuma ser mais alto. É mais um produto para diversificação. Algumas podem ter um prazo de vencimento muito longo. Apesar de não terem a garantia do FGC, existem ativos desse tipo que dispõem de outros tipos de garantia: Garantia real; Garantia flutuante; Garantia quirografária e garantia subordinada, que são garantidas relacionadas com o patrimônio da empresa. A liquidez das debêntures pode ser bastante restrita. A Figura 9 ilustra algumas Debêntures oferecidas por uma corretora.

Figura 9: Debêntures de três empresas

Tesouro direto

Chegamos em títulos do governo! Vamos lá. O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (a Bolsa de Valores, antiga Bovespa) para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas. Foi lançado em 2002 com o intuito e facilitar o acesso a Títulos públicos. Agora vamos lembrar das características dos ativos de renda fixa, volte no post referente se for preciso. Quando a Taxa Selic está alta não é necessário correr maiores riscos para ter rentabilidades interessantes; Esse é o investimento mais seguro dos ativos de renda fixa na economia brasileira, pois o risco que você corre de perder o dinheiro investido não está mais relacionado com uma instituição financeira mas ao Tesouro Nacional, ou seja, o maior problema é o país quebrar, não precisa de FGC; É flexível, há várias opções que podem se adequar melhor a seus objetivos, tem diferentes rentabilidades, prazos de vencimento e fluxos de remuneração; É acessível, pois com a aplicação mínima de R$ 30,00 você pode começar a investir; 100% digital, não requer que você precise sair de casa pra investir; A liquidez dos títulos é diária apesar de terem data de vencimento. O Funcionamento do Tesouro Selic é parecido com um CDB mas nesse caso você empresta dinheiro pro governo e recebe juros por isso. Outra característica do Tesouro Direto é que diferente da poupança (que só rende uma vez a cada 30 dias) ele rende diariamente. Esses títulos têm cobrança de imposto de renda (retido na fonte) de acordo com aquela tabela regressiva por periodicidade.

Há basicamente três tipos de títulos dos mais conhecidos: Pós-fixados, Pré-fixados, e híbridos. Já vimos isso antes hein. Não tem muita coisa diferente. Começando pelos pós-fixados temos o Tesouro Selic, adivinha a qual indexador ele é atrelado… isso mesmo, Taxa Selic. E ele tem a rentabilidade total da Taxa Selic. Não sofre grandes oscilações de valor independentemente de quando for feito o resgate. Algumas pessoas sugerem colocar a reserva de emergência no Tesouro Selic, mas é importante saber que você só pode solicitar liquidez do ativo quando a Bolsa está aberta, geralmente das 10:00 h da manhã até as 18:00 h, em dias úteis, outra coisa, se houver uma grande demanda por liquidez (muitos resgates no curto período de tempo, como aconteceu na crise do corona vírus) você fica suscetível ao sistema da instituição financeira que custodia sua aplicação e ao sistema da B3, é importante considerar isso. Quando dizem que a liquidez é diária você consegue de fato liquidar o dinheiro no dia, só que isso demanda um processo para que o dinheiro fique disponível para saque apenas no dia seguinte. Considerando esses critérios até mesmo uma poupança talvez fosse uma melhor opção a julgar pelas suas preferências.

Mais um título público é o Tesouro prefixado, um exemplo é o Tesouro prefixado 2023, com rentabilidade de 3,74% a. a. 2023 porque é o ano de vencimento. Esse título garante que se você resgatar o dinheiro na data de vencimento do título você tem a garantia que receberá tudo corrigido pela rentabilidade apresentada no momento da compra. Porém, entre o período de compra e a data de vencimento o valor deste título muda acompanhando a economia, isso reflete diretamente no valor que você investiu, assim, pode acontecer de você ver um valor menor do que o que você investiu nesse período, a garantia só é assegurada na data de vencimento. Uma variação desse título é o Tesouro prefixado com juros semestrais. O princípio é o o mesmo do Tesouro prefixado, a diferença é que a cada seis meses você recebe os juros que renderam, esses recebidos são os cupons semestrais. Temos um risco menor com relação ao outro tesouro, isso reflete diretamente na relação risco/retorno, o retorno obviamente é menor em relação outro, geralmente as taxas oferecidas são menores. Além disso, diminuir repetidamente o montante para calculo de rentabilidade, acaba por naturalmente gerar uma renda menor. Por fim, se você recebe o juros que rendeu a cada seis meses, na data de vencimento do título o montante é pouco diferente do valor inicial aplicado.

Um título com rentabilidade híbrida é o Tesouro IPCA (Ano de vencimento) + (Pequena Taxa), por exemplo Tesouro IPCA 2026 + 2,06% a. a. Da mesma forma que o prefixado se comporta, esse título também garante que se você resgatar o dinheiro na data de vencimento do título você tem a garantia que receberá tudo corrigido pela inflação mais uma pequena taxa que é a rentabilidade real. Outra coisa similar que também ocorre é que entre o período de compra e a data de vencimento o valor do título muda acompanhando a economia. Uma variação desse título é o Tesouro IPCA com juros semestrais que se comporta analogamente ao Tesouro prefixado com juros semestrais. A Figura 8 foi tirada do site oficial do Tesouro Direto e mostra os diferentes produtos que existem.

Figura 8: Apresentação dos diferentes Títulos públicos disponíveis no Tesouro Direto

É comum que bancos vendam títulos de capitalização e fundos de investimentos com rentabilidade muito inferior à Taxa Selic, fique atento a isso.

Por enquanto é só, até o próximo post! =)

LC, LCI e LCA

E aí, tudo bom? Meu nome é Eudes, sou professor na área de tecnologia mas também sou um estudante entusiasta de finanças e investimentos. Se você se interessa por esse conteúdo pode ser que eu tenha algo bem legal pra te passar. Então, bora lá!

Mais um ativo de renda fixa é o LCI, Letra de Crédito Imobiliário. São títulos emitidos por instituições financeiras que remuneram o investidor por um prazo que é mostrado no momento do investimento, sendo fonte de investimentos para o setor imobiliário, pois são lastreados em créditos imobiliários. Na economia o conceito de lastro é usado para determinar o valor real da moeda, o que garante o valor do papel moeda, nesse caso, o valor real do ativo é determinado por imóveis. Isso significa que o dinheiro do investidor que investe em LCI está sendo utilizado, no fim, para a compra ou para o financiamento de um imóvel. Na prática, o investidor emprestará seu dinheiro ao setor imobiliário para recebê-lo incrementado com juros no futuro. Um detalhe interessante dos LCIs é que eles não cobram imposto de renda, assim todo lucro obtido é líquido! Os LCIs têm a proteção do FGC.

Como nos CDBs o LCI tem o nome, a rentabilidade, a data de vencimento, e o valor mínimo de aplicação e a liquidez (que no exemplo mostrado é a quantidade de dias requeridos até o resgate). Vale ressaltar que se a liquidez for diária as rentabilidades tendem a ser menores. A Figura 7 ilustra alguns exemplos de LCIs.

Figura 7: Exemplos de LCI de uma corretora de valores

Outro ativo de renda fixa são os LCAs, Letras de Crédito do Agronegócio. Possui características de investimento semelhantes ao LCI. Esses ativos, em vários casos, oferecem uma rentabilidade mais atrativa em relação a outros ativos de renda fixa. Isso ocorre por que o LCA tem isenção de imposto de renda sobre os rendimentos, coisa que não acontece na maioria dos ativos de renda fixa. O capital investido não oscila, isso já é sabido. E, os LCAs têm a proteção do FGC. Assim como em outros ativos de renda fixa a rentabilidade nos LCAs pode ser de três formas: pré-fixada e pós-fixada.

Quando há inadimplência o investidor não é afetado diretamente se a instituição financeira (credora) tiver como arcar com esses custos, ela é a responsável. Já vimos que o retorno é proporcional ao risco que se corre. Isso justifica o fato dos bancos pequenos oferecerem taxas de rentabilidade maiores, pois é muito mais fácil que ele sofra com tais situações do que os bancos grandes.

Agora vamos ver mais um, LC, Letra de Câmbio. É um título de renda fixa, como o CDB. É oferecida por sociedades de crédito, investimento e financiamento, conhecidas como Financeiras, onde o emitente é o devedor, o beneficiário é a pessoa física ou jurídica que investe o seu dinheiro, e o aceitante é a financeira, como a Fininvest, BMG e a Crefisa. As LCs são muito procuradas por conta da rentabilidade que oferecem, além de serem protegidas pelo FGC. Esse investimento possui as características de uma ativo de renda fixa e possui rentabilidade diária. Porém, sofre tributação de IR de acordo com aquela tabela regressiva mostrada no post que fala das características dos ativos de renda fixa. O investimento mínimo é maior que os concorrentes (Tesouro direto, por exemplo, que veremos mais detalhadamente num post adiante), e, não serve como margem de garantia para investir na Bolsa de Valores (explicarei o que é essa margem de garantia mais à frente) . Outra desvantagem das LCs é que elas não possuem liquidez diária.

Por enquanto é só, aos poucos você aprende. Até o próximo post!

Poupança e CDB

Então vamos começar a falar dos ativos financeiros! No primeiro momento os mais simples, os de renda fixa. Vamos falar de CDB, LCI, LCA, Debênture, Títulos públicos, Fundo DI, etc. A Selic é a taxa base pra maioria os ativos de renda fixa lembra? As instituições financeiras se baseiam nela pro rendimento de seus produtos, mas é importante lembrar que nesses ativos o rendimento é menor, certo? Quanto menor a Selic, menor o rendimento. Vamos aos mais conhecidos.

Começando, qual é o ativo mais popular dos brasileiros? A poupança. Quando você faz uma, você deixa dinheiro disponível pro banco usar como quiser, é você emprestando dinheiro pro banco, e você faz isso visando um prêmio/lucro, que é o juros desse empréstimo. Tem as vantagens de ser fácil, prática, possuir ótima liquidez (o fato de você conseguir transformar o valor do ativo em dinheiro vivo, é quase instantâneo) e quando é feita em um grande banco, é encorpada com a solidez e todos os serviços financeiros que ele pode oferecer. Outra vantagem é que poupança não tem imposto de renda. Mas vamos ver as desvantagens. Dos ativos de renda fixa a poupança é o que tem o menor rendimento. Lembra que os ativos de renda fixa são atrelados à taxa Selic? Pois é, e na data desse post estamos no menor valor histórico dessa taxa. Mas calma, ela não rende tudo que a Selic possibilita, mas sim 70% dela se esta se for igual ou menor que 8,5%, ou, 0,5% se a Selic for maior que 8,5%, um desses dois casos mais uma taxa referencial que também é muito pequena, aliás agora (07/2020) está em zero. Na data da publicação deste post a Taxa Selic está em 2,25% a.a. Enfim, é um rendimento ridículo. Tem mais, esse rendimento dela só acontece uma vez ao mês, a cada 30 dias após o aporte. Acha que tá seguro com ela? Olha só… Se o banco que mantém essa poupança quebrar, você corre o risco de perder tudo sabia? Apesar das instituições financeiras usarem o FGC como garantia de seguro.

Lembra do CDI e como ele está relacionado aos ativos de renda fixa nas instituições financeiras? Se não, veja isso no post anterior. Então, bora ver o CDB? (Certificado de Deposito Bancário) Um título emitido por uma instituição financeira que remunera o investidor por um prazo determinado no momento do investimento. Sim, e a rentabilidade? Depende, pode ser prefixada ou pós-fixada. E vão dizer assim pra você: “Rende X% do CDI”! Tem detalhes disso no post anterior. Num banco, no geral,  você vai ter poucas ofertas de ativos financeiros. Como tem poucas ofertas e MUITA gente ignorante no assunto, eles aproveitam e empurram as melhores opções, PRA ELES, claro. Outra questão dos CDBs é que é cobrado imposto de renda sobre o lucro, e a taxa desse imposto sobre o lucro varia de acordo com o prazo aplicado, conforme aquela tabela regressiva mostrada no post anterior.

Falando dos ativos de renda fixa, geralmente encontramos esses ativos em bancos, mas algumas vezes não há muitos pra oferecer, os bancos grandes têm uma solidez indiscutível, prestam ótimos serviços e são instituições muito sérias. Só que tem a carência de produtos pra investimento né? Mas isso é lógico, porque eles vão priorizar as coisas que mais lhes rendem lucros e quase sempre o melhor pro investidor não é o melhor pra eles. Banco tem seu papel e desempenha muito bem, mas nessa questão… Então como eu faço pra achar melhores ofertas de ativos? Essa é a pergunta chave. Pra encontrar mais opções você precisa abrir uma conta numa corretora de valores. Ela é uma intermediária entre você potencial investidor e uma instituição financeira. Ela pode oferecer produtos de várias instituições financeiras, vários bancos, a bolsa de valores, etc. Então através dela você pode escolher dentre diversos produtos pela internet. Existem corretoras voltadas pra diferentes perfis, de diferentes tamanhos, diferentes custos operacionais, diferentes níveis de fama e robustez. Mas algo bem importante é seu conforto e expertise com a plataforma da corretora. Posso citar algumas, XP, Rico, Clear, Modalmais, Easyinvest, Guide, Órama, Ágora, Nova Futura, Toro, enfim, são muitas.

Retomando e voltando a falar do CDB temos: o nome, a rentabilidade, a data de vencimento, a aplicação mínima e a liquidez (que neste caso está mostrada como o prazo). É bom salientar que se a liquidez for diária as taxas tendem a ser menores. Falo das características dos ativos de renda fixa no post anterior. Vou focar nas características mais importantes pra facilitar a fixação do conteúdo. A Figura 6 ilustra alguns exemplos de CDBs.

Figura 6: Exemplos de CDBs disponíveis no site de uma correta de valores

Nesse post vimos poupança e CDB. É o suficiente pra assimilar por enquanto, nesse caso menos é mais, não adianta falar de muita coisa.

Características dos ativos

Para dar prosseguimento em nosso estudo vou mostrar as características principais dos ativos de Renda Fixa. A Figura 3 ilustra essas características e falo de cada uma delas nesse post:

Figura 3: Principais características dos ativos de renda fixa

Como mostrado na Figura 3 os ativos de renda fixa mais conhecidos são CDB, LCI, LCA, LC, Debênture, CRI, CRA e COE. Nesse post vamos falar das características aplicáveis a todos e detalhar cada um desses produtos em posts posteriores. Algumas coisas são muito óbvias e simples pra alguns mas a intenção é fornecer conhecimento a todos.

Cheguei num ponto que eu preciso explicar. Lembra da taxa Selic? Ela pode ser usada como um indexador de rentabilidade, ou podemos usá-la pra como taxa de comparação, um benchmark. Ela é pra ativos de renda fixa sim, mas no mercado financeiro ela é relacionada aos títulos do governo, e vamos falar deles depois, mas agora vamos falar dos produtos dos bancos. Em seus produtos os bancos usam outra taxa, poxa mais uma uma? Sim, e é mais uma sigla, uma hora acaba, rsrsrs. Vai aprendendo aí, CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Certo, mas isso significa o quê. O Banco Central do Brasil definiu que todo banco deve fechar o dia com saldo positivo, mas nem sempre isso ocorre, por vários motivos, por exemplo, pode haver mais saques que depósitos num dia. Pra cumprir a regra do saldo positivo, os bancos tomam dinheiro emprestado de outros bancos e o juros desse empréstimo é a taxa CDI. Certificado de Depósito Interbancário fez sentido agora? Essa taxa CDI quase sempre fica muito próxima da taxa Selic, quase colada, isso é o ideal pros bancos, nem muito abaixo, nem muito acima, mas não vou dar detalhes disso porque só nos interessa saber o que ela é. Dá pra investir no CDI? Não, é só um indexador, uma taxa. Assim como a taxa Selic ela pode ser usada como uma taxa de comparação, um benchmark.

Outro indexador é o IPCA, que significa Índice de Preços ao Consumidor Amplo e corresponde à taxa da inflação.

Apesar de não aparecer na Figura 3, outro importante indexador é o IGP-M. É um indicador de preços auferido mensalmente usado para medir a inflação  e é composto pela ponderação de 3 outros índices: IPA 60%, IPC 30% e INCC 10%. Ele é calculado por uma instituição privada: a Fundação Getúlio Vargas (FGV). IGP-M é conhecido como a inflação do aluguel.

Os indexadores são relacionados à rentabilidade. E esta pode ser de três formas: pré-fixada, na qual a rentabilidade é apresentada no momento da contratação; pós-fixada, na qual a rentabilidade é atrelada a um indexador, por exemplo, CDI ou IPCA; e híbrida, dessa maneira a rentabilidade é formada por um indexador + uma pequena taxa, por exemplo, IPCA + 3%.

O prazo corresponde ao tempo necessário para manter o ativo sem poder resgatar o dinheiro. Em algumas corretoras vem em quantidade de dias, em outras em anos ou a data específica na qual é possível a liquidez do ativo (transformar o valor do ativo em dinheiro). Há os casos em que a liquidez é (diária), nesse caso você pode tirar o dinheiro a qualquer momento com a taxa de rentabilidade contratada. Nesses casos a rentabilidade contratada tende e a ser menor dentre os pares.

Outra característica é a data de vencimento, que é o prazo recomendado para que o investidor resgate seu dinheiro para ter acesso à rentabilidade projetada para o ativo escolhido. Analogamente, quanto mais longíncua a data de vencimento e/ou o prazo para liquidez, maior tende a ser a rentabilidade oferecida.

A aplicação mínima representa o menor valor possível a ser aplicado na primeira vez. Não é necessário que as aplicações seguintes sejam maiores ou iguais ao primeiro valor aplicado. Uma variante dessa característica é a movimentação mínima que representa quanto poderá ser resgatado ou aplicado (depois da primeira aplicação).

Outra característica de destaque é a proteção pelo FCG. Mais uma sigla, hehehe, sinto muito, uma hora você se acostuma com elas. É o seguinte, se o banco que mantém a aplicação quebrar, você corre o risco de perder tudo, sabia? Pra contornar essa situação, assim quando foi implantado o plano real, em 1995 foi criado o FGC. Mãe de quem? Fundo Garantidor de Crédito, que é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que administra mecanismos de proteção aos investidores frente às instituições financeiras associadas ao fundo. Teoricamente, mesmo que quebre o banco que você fizer a aplicação, se ele for associado ao FGC você está protegido em até R$ 250.000. Não estranhe se uma instituição financeira usar a propaganda “proteção garantida pelo FGC”. Tirei um screenshot de uma propaganda dessas pra lhe mostrar, está na Figura 4. O que ninguém vai dizer é que o FGC não tem todo o capital necessário pra assegurar todas as instituições associadas, na verdade, no mês dessa publicação não tem nem 5%.

Figura 4: Propaganda de um CDB protegido pelo FGC

Uma coisa que você precisa saber é que o FGC não é um seguro! Num seguro existe a dever da seguradora lhe indenizar em caso de sinistro. Em outras palavras, se você fizer um seguro e acontecer algum sinistro a seguradora é obrigada a lhe pagar. No caso do FGC, a situação é um pouco diferente: o fundo não é obrigado a devolver seu dinheiro; ele fará isso se, e somente se, dispuser do montante de reservas para tal. No fim das contas a proteção pelo FGC não é uma solução de segurança plena…

Por fim, isenção de imposto de renda. Há cobrança de imposto de renda sobre o lucro em alguns ativos de renda fixa, outros são isentos. Caso haja a cobrança, há uma diminuição na taxa de acordo com o período investido. A maioria dos referidos ativos segue uma tabela cuja cobrança é regressiva de acordo com o período, como ilustra a Figura 5:

Figura 5: Tabela regressiva de cobrança de IR

Nesse post vimos as principais características relativas aos ativos de renda fixa, a saber: rentabilidade (CDI, IPCA, prefixado), liquidez, prazos ou data de vencimento, aplicação mínima, FGC e imposto de renda. Agora podemos falar dos ativos de renda fixa, então até o próximo post!

Inflação

Lembra que falamos de ativos num post anterior? Renda fixa, renda variável, etc. Pois é , o fato é que de qualquer forma você está exposto à economia do país, isso parece óbvio demais, dã. E logicamente aparentemente estamos mais seguros em ativos de renda fixa, afinal eles preservam o capital inicial investido. Porém, algo que ninguém te lembra é se o rendimento dessa aplicação financeira pelo menos mantém o seu poder de compra com o passar do tempo. 

Se a taxa da inflação for maior que a taxa Selic fica muito mais difícil encontrar um ativo que pelo menos preserve o poder de compra, veja lá ter rentabilidade real, a rentabilidade que passa da inflação. Em outras palavras, a inflação consome seu dinheiro e você nem sente! 

Aha! Fique esperto, talvez você esteja queimando dinheiro e nem se dá conta disso, é só o rendimento ser menor que a inflação que isso acontece. E logicamente, você não quer deixar isso acontecer com seu dinheiro tão suado né? E os ativos financeiros podem fazer isso por você. Lembra que eu falei? Devemos nos pagar antes e uma forma de fazer isso é comprando ativos! A dúvida agora é qual ativo comprar, de que tipo, de renda fixa ou de renda variável?

Já vimos que estamos expostos à economia independentemente do tipo de ativo ou mesmo algum bem do nosso patrimônio, vimos que podemos perder dinheiro até mesmo em ativos de renda fixa. Então como se proteger da inflação? Isso pode ser alcançado tanto com ativos de renda fixa quanto com ativos de renda variável.

Em renda fixa há ativos que garantem proteção contra a inflação, os mais conhecidos são os títulos do tesouro nacional. Estes garantem que uma vez investido um valor, será garantida a correção da inflação mais uma pequena taxa que é a rentabilidade real na data de vencimento do título. Mas isso só é garantido na data de vencimento, no intervalo da data de compra do título até a data de vencimento a rentabilidade oscila de acordo com a economia, sendo que pode acontecer que nesse intervalo tenha menos capital do que o investido.

A outra forma é através de ativos de renda variável, antes de apresentar a sugestão imediata, trago um exemplo para que você compreenda o porque da mesma. Já parou pra pensar no porquê todo ano a conta de energia, de água e de telefone, ficam mais caras? É o efeito da inflação, pelo fato de tudo ter ficado mais caro de forma generalizada, os custos de produção também aumentaram e isso precisa ser repassado ao consumidor para que a empresa consiga se manter. Então para que uma empresa qualquer continue existindo é necessário acompanhar a inflação. Certo, mas onde isso entra na questão dos investimentos? Você pode se tornar sócio das empresas que estão listadas na bolsa de valores! Para fazer isso basta comprar uma ação de uma empresa, aí você já é um acionista. Uma ação é uma pequeníssima fração da empresa e sua cotação tende a acompanhar a inflação. É comum também que o acionista receba parte dos lucros da empresa, logicamente proporcional a sua participação no capital da empresa, a quantidade de ações.

Porém, é prudente que você deixe disponível um valor que possa ser resgatado e livre das oscilações de mercado, uns chamam isso de reserva de emergência, reserva de oportunidades, reserva de liquidez, outros chamam de caixa, enfim, é um capital que você pode resgatar a qualquer momento. É comum sugerirem que essa reserva de emergência tenha o valor de 12 meses do seu custo de vida se você for um profissional autônomo ou 6 meses caso seja um assalariado. Entretanto, não tem regra certa ou errada, o mais importante é você ficar confortável com o montante que você separou pra isso. Por ordem de prioridade: a primeira coisa que precisa ser feita antes de investir é quitar as dívidas se existirem, não faz sentido investir havendo dívidas pois não é garantido que a rentabilidade dos investimentos e/ou aplicações as supere; em seguida deve ser feita a falada reserva de emergência, algumas pessoas possuem 100% do capital investido em renda variável mas isso já é para pessoas com mais experiência nesse tipo de ativo. Depois disso é que poderão ser escolhidos os ativos financeiros de diferentes tipos, e a partir de então vou lhe apresentar cada um nos próximos posts.

Por fim uma pergunta: Porque não é prudente alocar tudo em ativos de uma só categoria (Renda fixa ou Renda variável)? Se há dúvidas deixe nos comentários.

Renda Fixa x Renda Variável

Como tudo está associado, é melhor abordar junto as coisas que estão mais relacionadas. Quando falamos de investimentos volta e meia nos referimos a ativos financeiros. E são eles que se classificam entre ativos de renda fixa e ativos de renda variável. Existem vários e vou falar sobre alguns em postagens adiante.

Há ativos que possibilitam calcular precisamente ou fazer uma estimativa muito próxima de um valor até uma data. Neste caso o rendimento seria fixo. É isso que acontece com os ativos de renda fixa. Ao fazer um aporte em um ativo de renda fixa  estamos fazendo uma aplicação financeira. Quando você diz que vai aplicar seu dinheiro, significa que vai fazer um aporte em um ativo de renda fixa. Uma característica dos ativos de renda fixa é a manutenção e aumento do capital inicial investido com o decorrer do tempo. Porém, esse aumento de capital é atrelado a um índice. Na verdade, todos os ativos de renda fixa devem seguir esse índice, que é definido por um órgão regulador. Este por sua vez define tal índice baseado na economia local corrente. No caso do Brasil esse órgão regulador é o COPOM (Comitê de Política Monetária).

O COPOM é um órgão que foi constituído no Banco Central do Brasil em 1996. Foi criado para dirigir a política monetária do país e estabelecer diretrizes a respeito da taxa de juros. Pera, pera, pera! Taxa de juros de quê? A taxa base para os ativos financeiros relativos à economia do país e ela é definida através de uma fórmula, tudo vai se basear nela. É ruim pra economia se o valor dessa taxa for muito diferente da demanda da economia do país. O valor precisa ser definido baseado no estado da economia a cada 45 dias. Essa taxa de juros é chamada de Taxa Selic. Por essa taxa de juros afetar tudo, ela reflete diretamente no controle da inflação do país.

Vimos o conceito de renda fixa, aplicação, aporte e Taxa Selic. Agora vamos entender como essa taxa está intimamente ligada à inflação. Pra tentar esclarecer o que é a inflação, esse é um termo que está ligado ao aumento contínuo e generalizado dos preços numa economia. Tente se lembrar do que você conseguiria comprar em um supermercado a 10 anos atrás com o mesmo valor que você gasta hoje pra fazer uma feira qualquer. Daria pra comprar muito mais coisa né?

Mas como a Taxa Selic está ligada à inflação? Sim, ela afeta tudo mas observe este único exemplo, que é simples porque eu tirei muitas variáveis: Pra o produto chegar ao supermercado ele teve custos: matéria prima, produção, transporte, etc. Quem produziu o que está na prateleira do supermercado geralmente foi uma empresa. Pra empresa dar continuidade no seu funcionamento é comum que ela faça dívidas. Quem empresta o dinheiro, os credores, geralmente são grandes instituições financeiras. Que por sua vez fazem empréstimos visando um prêmio/lucro por ele. Esse prêmio é o juros da dívida. Porém a taxa dos juros desse prêmio gira em torno da Taxa Selic. É aí o X da questão. Assim, quanto maior a Taxa Selic mais juros devem ser pagos. Com isso dá pra inferir que quanto maior essa taxa, maior a resistência em pegar empréstimos. O contrário também é verdadeiro. Supondo uma diminuição da taxa Selic, o custo daquele produto da prateleira diminuiria, o que estimula a produção, isso aumenta a oferta daquele produto, e acaba por diminuir ou manter o preço frente a toda cadeia de suprimentos da concorrência. Um aumento da taxa Selic causa o efeito contrário. Então porque não manter sempre baixa a Taxa Selic? Diminuir indiscriminadamente a taxa Selic pode causar um aumento de produção maior do que a demanda, subvalorizando os produtos, desestimulando assim a produção porque não seria mais vantajoso pra empresa todo o trabalho pra pouco lucro. Analogamente, aumentar a taxa Selic aumentaria muito o custo o que também acaba por desestimular a produção. A taxa Selic serve como um regulador e precisa estar bem alinhada com a situação corrente da economia. Regulador? É, se a demanda e a produção não estiverem de acordo ela entra em ação. Demanda maior que a oferta, diminui-se a Selic pra aumentar a produção. Demanda menor que a oferta, aumenta-se a Selic pra diminuir a produção. 

Na Renda Variável é diferente. De agora em diante o termo “aplicação financeira” não é mais adequado mas sim investimento. Pois não dá pra precisar o valor final de um investimento depois de um período, quem faz um INVESTIMENTO em renda variável deve focar no longo prazo, décadas. No livro O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham, ele diz que é hora todos reconhecerem que o termo “investidor de longo prazo” é redundante. Como apresentado na Figura 2, no caso ele esse se refere a um ativo de renda variável, ação de uma empresa.

Figura 2: Apresentação de trecho do livro (O investidor inteligente), pp 177.

Na renda variável os indexadores usados são outros, por exemplo, IFIX e Ibovespa. Historicamente o que se mostra é que geralmente quando a taxa Selic cai o índice que mostra o crescimento das empresas da bolsa, o Ibovespa, sobe. Dá pra deduzir a lógica por trás disso? 

Uma verdade absoluta do mercado financeiro é que o retorno é proporcional ao risco que se corre. O risco dos ativos de renda fixa é baixíssimo, o menor disponível, em contrapartida, o retorno é menor também. O risco no ativos de renda variável é maior, porém, o retorno é potencialmente muito maior também. Entretanto, há formas de administrar esses riscos. Veremos isso mais pra frente. Você vai aprender naturalmente.